Visita técnica mostra que projetos-pilotos do CITinova implementados no Distrito Federal já geram benefícios

Desenvolver e apoiar tecnologia e inovação para promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras e, com isso, melhorar a qualidade de vida e o bem-estar dos cidadãos são desafios do projeto CITinova, que entra em seu quarto ano de execução com muitas iniciativas já apresentando bons resultados.

Algumas dessas ações estão sendo implementadas no Distrito Federal pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA-GDF), parceira coexecutora do projeto, e receberam visita técnica, em 18 de janeiro, da direção nacional deste projeto multilateral, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) e implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Com representantes do MCTI, PNUMA e SEMA-DF, a visita iniciou com a apresentação de uma experiência de Sistemas Agroflorestais (SAFs) mecanizados, e se estendeu às iniciativas do projeto CITinova no antigo “Lixão da Estrutural”, onde foram realizados diagnóstico de contaminação do solo e da água e implementação de tecnologias para remediação de áreas contaminadas.

Pela manhã, a visita técnica foi voltada às iniciativas implementadas nas Bacias Hidrográficas do Descoberto e do Paranoá, do DF.  Naquela região, o diretor e a coordenadora nacional do projeto, Luiz Henrique Mourão do Canto Pereira e Ana Lúcia Stival, ambos do MCTI, conferiram os resultados dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) mecanizados (SAFs), projeto-piloto implantado em 20 hectares, beneficiando 37 famílias.

Acompanhados do secretário do Meio Ambiente, Sarney Filho, da responsável institucional e da coordenadora nacional do CITinova na Sema, Márcia Coura e Nazaré Soares, e de alguns técnicos, eles conheceram a gleba da agricultora Ilnéia Alves Rocha Barros, no Núcleo Alexandre de Gusmão, em Brazlândia. No local encontra-se o córrego do Rodeador, que alimenta a Bacia do Rio Descoberto, responsável pelo abastecimento de 60% da população de Brasília.

Depois de muito trabalho, desde 2019, quando foi selecionada para ser uma das beneficiadas pelo projeto, Ilnéia comemora, com o marido Claudionor e a filha Adriana, os bons resultados da recuperação das áreas de proteção ambiental degradadas, de nascentes e a produção da agrofloresta mecanizada, utilizando boas práticas da agricultura sustentável.

O programa, implantado a partir de 2019, envolve a recomposição da vegetação nativa em áreas de preservação permanente (APPs) de nascentes, áreas de recarga hídrica e demais APPs degradadas ou alteradas nas Bacias dos rios Descoberto e Paranoá, visando à manutenção e à recuperação de seus aquíferos. Também faz parte da iniciativa a implantação nas duas bacias de Sistemas Agroflorestais, que além da segurança hídrica se associa à segurança alimentar e alternativa de renda ao agricultor familiar.

Na avaliação do diretor nacional do CITinova e coordenador-geral de Ciência para a Biodiversidade do MCTI, Luiz Henrique Mourão do Canto Pereira, “após três anos de execução do projeto CITinova, já se observam seus benefícios”.  Ele ressalta que o reflorestamento em áreas rurais degradadas, próximas a nascentes, vem sendo executado com sucesso:  “O sistema agroflorestal foi bem recebido pelos produtores rurais e se encontra em pleno desenvolvimento, propiciando a estes produtores melhores oportunidades de geração de renda e uso sustentável da terra”.

Durante a visita técnica, o secretário Sarney Filho destacou que as ações em propriedades nas Bacias do Descoberto e do Paranoá estão servindo de exemplo para outros programas no DF.

Ações no Lixão da Estrutural

No período da tarde, a visita técnica se estendeu ao antigo Lixão da Estrutural. No local, foi apresentado o trabalho realizado para a produção do estudo sobre a área, desenvolvido pela SEMA-GDF em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). Iniciado em 2019 e encerrado em 2021, a iniciativa teve como objetivo elaborar um diagnóstico e uma proposta de remediação para toda a área de influência local, utilizando tecnologias inovadoras. O local, desativado em 2018, já foi considerado como o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina.

Coube ao coordenador do estudo, professor Eloi Campos, do Departamento de Hidrogeologia e Geologia Ambiental da UnB, apresentar aos visitantes cada etapa realizada: as experiências da fitorremediação com plantio de espécies nativas e exóticas, para reter metais identificados no solo; os poços instalados para medir o nível de contaminação de chorume – líquido escuro que sai do lixo -, além de e monitorar os reservatórios de água subterrâneos.

Poço para medição do nível de contaminação de chorume. Foto: Renata Leite Ascom SemaDF

“Os estudos realizados no aterro sanitário da Estrutural estão trazendo importantes subsídios para a tomada de decisão sobre futuras ações de recuperação ambiental e mitigação de danos na área”, afirmou Luiz Henrique Mourão do Canto Pereira. “Desta forma, considero que o projeto CITinova está logrando benefícios concretos e deixará um legado positivo à população do Distrito Federal”, concluiu o diretor nacional do projeto.

*Com informações da equipe de Comunicação da Secretaria de Meio Ambiente.


Foto de abertura Visita técnica no Lixão da Estrutural. Foto:Renata Leite Ascom SemaDF

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