Recife desenvolve tecnologia inovadora para tratamento da água poluída

A resiliência é uma das capacidades humanas de se adaptar a mudanças e retomar o equilíbrio. Para o meio ambiente não é diferente. Segundo Simone Souza, doutora em Tecnologia Ambiental e conselheira do Conselho Estadual do Meio Ambiente, “a resiliência ambiental é um conceito que diz respeito à capacidade de um sistema de recuperar o seu equilíbrio após ter sofrido uma perturbação”.

Isso significa, por exemplo, que, mesmo recebendo esgoto, o rio é capaz de se auto depurar e tratar. Contudo, normalmente o impacto negativo causado na natureza gera um dano muito maior do que a faculdade de regeneração do meio ambiente.

Resiliência ambiental é um dos 17 caminhos estratégicos do Plano Recife 500 anos que se relaciona diretamente com o CITinova a partir da execução de projetos-piloto utilizando soluções baseadas na natureza (SbN), entre eles os Jardins Filtrantes que serão instalados na foz do Riacho do Cavouco, localizada no Parque do Caiara, no bairro da Iputinga, Zona Oeste da capital pernambucana.

Projetados para ocupar aproximadamente 7 mil m², os Jardins serão responsáveis pelo tratamento de cerca de 10% da vazão da água poluída que desaguará no Rio Capibaribe. Para Luana Alves, arquiteta e urbanista do CITinova pela ARIES, apesar do pequeno volume a ser tratado, os Jardins representam um grande auxílio à resiliência ambiental do Rio Capibaribe, ampliando a oxigenação da água. “Além de impactar na vida do Parque, virando um atrativo para novos visitantes e dando visibilidade ao Caiara.”  

A iniciativa executada pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), parceira coexecutora do CITinova, está em fase de finalização do projeto executivo para, em breve, entrar na etapa de execução da obra. Quando implementada, irá servir também como modelo que influencie políticas públicas a replicá-los em todo o Brasil.

Projeções do projeto-piloto dos Jardins Filtrantes que estão sendo desenvolvido no Recife pela ARIES/CITinova

Etapas do projeto-piloto                                     

Lilian Hengleng, diretora geral da Phytorestore, empresa contratado pela ARIES para executar o projeto, explica que o desenvolvimento dos Jardins Filtrantes se deu a partir das seguintes etapas:

  • estudo hidrológico, referente aos dados sobre qualidade da água;
  • estudo geológico, sobre qualidade do solo;
  • estudo do entorno, destinado a do Parque do Caiara e conexão arquitetônica com as diretrizes e premissas do Projeto Parque Capibaribe;
  • etapa de paisagismo ecossistêmico, referente às plantas nativas que serão plantadas no local;
  • estudo socioeconômico;
  • estudos e definições de soluções e tecnologias partindo de todos os levantamentos realizados. 

Além disso, existe a possibilidade do município utilizar a área como palco para circuitos pedagógicos de educação ambiental com temas como a importância dos rios, a história do Capibaribe, o processo de recuperação do canal do Cavouco e tratamento das águas.

Tecnologia fitorremediadora

Financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, o CITinova é executado na capital pernambucana pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), organização responsável pelo desenvolvimento de projetos-piloto como os Jardins Filtrantes, uma tecnologia francesa patenteada pelo paisagista Thierry Jacquet que controla a poluição a partir de plantas fitorremediadoras.

A técnica foi a solução sustentável aplicada no Rio Sena e possibilitou a recuperação do efluente após grandes chuvas, por exemplo. “O objetivo do jardim é melhorar a qualidade da água antes dela chegar no rio então ele vai funcionar como se fosse um fígado para o riacho do Cavouco antes da agua contaminada chegar no Capibaribe”, informa Lilian Hengleng.

Cada jardim filtrante é uma criação paisagística única projetada como um parque ou jardim público a fim de promover a biodiversidade. Compatível com a dinâmica da cidade e com um design participativo, eles podem construir um meio natural pedagógico impactando na conscientização da população e na sua relação com o rio.

Por Giselle Cahú, da equipe de comunicação ARIES/CITinova


Foto de abertura  Projeção do projeto-piloto Jardins Filtrantes, que estão sendo desenvolvido no Recife pela ARIES/CITinova

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