Nesta semana, no Parque Ecológico do Riacho Fundo, Distrito Federal, acontece mais uma etapa do Programa de Recuperação de Nascentes, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA), no âmbito do projeto CITinova, do Ministério da Ciência e Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Até sexta-feira (06), serão plantadas 2,4 mil mudas de espécies nativas do cerrado.

Equipe CITinova/SEMA e voluntários do plantio reunidos para o início da ação. Foto: Gabriela Fonseca.

O diagnóstico está sendo realizado para apontar os locais que serão atendidos pelo programa, envolvendo áreas de preservação permanente (APPs), de nascentes e de recarga hídrica (degradadas ou alteradas) nas bacias dos rios Descoberto e Paranoá, que abastecem os dois principais reservatórios de Brasília.

O trabalho de recuperação foi iniciado pelo Parque Ecológico Águas Claras, com o plantio de mais de 4 mil mudas em uma área de aproximadamente 5 hectares, no período de 20 a 28 de fevereiro. 

Segurança hídrica

Para Nazaré Soares, coordenadora do CITinova pela SEMA/GDF, a necessidade do projeto vem da severa crise hídrica que afetou o Distrito Federal nos últimos anos. “Uma das principais causas, além da mudança no regime de chuvas e do aumento do consumo pelo crescimento populacional, é o manejo inadequado de áreas que suprem os mananciais, denominadas áreas de recarga”, diz.

O secretário da SEMA, Sarney Filho, ressaltou a importância de garantir os cursos d’água que abastecem os dois reservatórios. “Esse tipo de projeto, ainda em escala piloto, em um cenário de aquecimento global, assegura para as futuras gerações o fornecimento da água”, disse ele.

Hoje, de acordo com a SEMA, a ameaça de uma crise hídrica decorre de fatores como as alterações nos períodos de chuva, o aumento do consumo impulsionado pelo crescimento populacional e práticas que levam à impermeabilização do solo, impedindo a infiltração da água e a reposição dos aquíferos, afetando diretamente as nascentes.

No parque Ecológico de Águas Claras, o trabalho conta com apoio de 80 pessoas do grupo Voluntários do Parque, será concluído até o final da próxima semana. Rosa Coalho, coordenadora do grupo de voluntários, destacou que a iniciativa incentiva o trabalho que os moradores já realizam no local. “É um exemplo que deve ser seguido em outras cidades”, defendeu.

Metas

Nessa primeira fase, serão recuperados, no Parque Ecológico do Riacho Fundo e no Parque Ecológico de Águas Claras, 10 dos 80 hectares do total estabelecido pelo projeto. Cerca de 40 espécies estão sendo usadas no plantio, como jacarandá, pau-ferro, lobeira, ipês, mutamba, Gonçalo Alves, paineiras e peroba do cerrado.

Até o retorno das chuvas, mais 70 hectares serão identificados para prosseguimento do plantio que será completado em 2021. A empresa Equilíbrio Ambiental fará o monitoramento e manutenção das áreas plantadas. 

A iniciativa de restauração de nascentes e APPs no Distrito Federal está entre as principais metas do Projeto CITinova Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis.


CITinova é um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e executado em parceria com Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Digital, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Programa Cidades Sustentáveis (PCS) e Secretaria do Meio Ambiente (SEMA/GDF).

Foto de abertura Primeiras mudas plantadas no Parque de Águas Claras. Foto: Gabriela Fonseca.

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