Planejamento urbano integrado pode ajudar na redução das desigualdades

O Programa Cidades Sustentáveis (PCS), em parceria com o Projeto CITinova, acaba de lançar um novo módulo dedicado ao tema em sua plataforma web e um Guia de Introdução ao Planejamento Urbano Integrado e um novo módulo dedicado ao tema em sua plataforma web.  

O lançamento dos novos conteúdos e ferramentas da plataforma do PCS, que visam apoiar a gestão e o planejamento urbano dos próximos prefeitos, foi realizado em um evento online, em 30 de novembro, com a participação de arquitetos e urbanistas. 

Zuleica Goulart, coordenadora do PCS, fez uma rápida explanação sobre o Módulo de Planejamento Urbano Integrado, e destacou as ferramentas e informações para implantação de um sistema de planejamento urbano integrado em nível municipal, conteúdos técnicos e teóricos sobre o tema e Sistemas de Informação Geográfica (SIG).  Ela destacou ainda dois guias que estão em desenvolvimento e serão disponibilizados na plataforma em breve: o Guia de Colaboração do Setor Privado para o Planejamento Urbano Integrado e o Guia de Capacitação para o Planejamento Urbano Integrado. 

No evento on line, a coordenadora nacional do projeto CITinova, Suiá Rocha, comemorou o lançamento do guia e do módulo. “Essa é uma grande entrega do CITinova, que visa promover a sustentabilidade das cidades brasileiras por meio de dois grandes pilares: um é o investimento em planejamento urbano integrado e o outro é o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.” 

Cid Blanco, arquiteto e urbanista da CBJ Planejamento e Moderação, fez a apresentação do Guia de Introdução ao Planejamento Urbano Integrado, enfatizando que a publicação é didática e pensada para todo e qualquer tamanho de município. “Esperamos com isso ajudar os municípios a melhor elaborar os seus planos e conseguir reduzir as desigualdades socioespaciais existentes”, complementou.  

Convidada a falar sobre a importância do planejamento urbano integrado para os municípios no contexto da covid-19, Paula Santoro, arquiteta urbanista e coordenadora do LabCidade (FAUUSP), avaliou que a pandemia acirrou a desigualdade e a exclusão nas cidades brasileiras, exigindo uma leitura territorial integrada em várias escalas. “A escala local, por exemplo, permitiria que a gente tivesse estratégias [territoriais], como o reforço da ação dos agentes de saúde e regras especiais para evitar contágio”, ponderou. Segundo ela, para enfrentar a Covid, é preciso pensar uma política de mobilidade e melhorar o saneamento, entre outros pontos. “Ou seja, as políticas têm que ser muito mais integradas”, argumentou.

Danielle Klintowitz, também urbanista e coordenadora geral do Instituto Pólis, argumentou que 2021 será uma grande oportunidade para que as gestões municipais avancem na implantação do planejamento integrado. “Vai ser o ano de elaboração dos planos plurianuais dos municípios, que devem ser integrados. Normalmente, em nossa cultura brasileira, eles são fragmentos das várias políticas”. Para ela, a grande dificuldade para o planejamento urbano integrado é a questão dos dados, que “estão mais disponíveis no nível nacional, não no nível local, e muitas vezes estão isolados e não conversam entre si”. Em sua opinião, não é por acaso que as cidades consideradas inteligentes e sustentáveis têm em comum o fato de serem muito bem planejadas. “Durante a pandemia, a gestão remota e estratégica dos dados se tornou mais evidente e importante”, considerou.

Suiá Rocha citou a Coréia do Sul como exemplo de eficiência na utilização de dados no combate à pandemia da covid-19. “Eles tiveram um sistema de rastreamento de contatos muito bom, capaz de rastrear mil pacientes potencialmente infectados em uma hora”, relatou. 

Ao comentar a importância da participação dos diversos atores que atuam nas cidades no processo de construção do planejamento urbano integrado, Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, afirmou que a “grande chaga” do Brasil é a desigualdade. “Nenhum coletivo, cidade ou país dá certo com esse grau de desigualdade que nós temos”, considerou.  Isso acontece, segundo ele, porque o poder público, muitas vezes, é refém de quem tem poder político e econômico. “A participação da sociedade, de outros atores, é fundamental para equilibrar esse jogo”, defendeu Grajew, que também integra o Conselho do Instituto Cidades Sustentáveis – organização realizadora do Programa Cidades Sustentáveis e da Rede Nossa São Paulo. Em sua avaliação, a participação social possibilita que as escolhas das prioridades e das regiões onde os recursos serão investidos sejam mais democráticas. 

Jorge Abrahão, coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, ressaltou a importância de se ter políticas de Estado. “O planejamento integrado é uma oportunidade para fazemos políticas que atravessem governos, que contemplem uma visão de longo prazo”. 

Por Airton Goes (Programa Cidades Sustentáveis)

Confira o vídeo do evento de lançamento do novo guia. 

Evento online reuniu equipe CITinova/PCS, arquitetos e urbanistas. Foto: Arquivo PCS.

Foto de abertura Imagem: Nasa (Fotos Públicas)

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