PCS lança Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades

O Programa Cidades Sustentáveis, parceiro coexecutor do projeto CITinova, lançou, em 23/03, o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR), uma nova ferramenta desenvolvida pelo PCS junto com o Sustainable Development Solutions Network, da ONU, para mapear, monitorar e avaliar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em 770 cidades brasileiras.

O evento virtual de lançamento contou com a participação de Jorge Abrahão (coordenador geral do PCS), Jeffrey Sachs (presidente da SDSN), Ignácio Ibanez (embaixador da União Europeia no Brasil), Stefano Malta (analista de política da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE e Coordenador do Programa Abordagem Territorial para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), Diego Aulestia (Chefe da Unidade de Assentamentos Humanos da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe – CEPAL/ONU) e Sávio Raeder (diretor do Projeto CITinova e do Departamento de Ciências da Natureza, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações – MCTI). Grayson Fuller, analista da SDSN, e Clarice Meyer Cabral, coordenadora de Indicadores do Programa Cidades Sustentáveis, apresentaram a metodologia e o site do índice.

O índice é resultado de um extenso trabalho de seleção, coleta e sistematização de dados de 770 municípios brasileiros, incluindo as capitais dos 26 estados da Federação, além de cidades de todas as regiões metropolitanas e biomas do país. Ao todo, foram utilizados 88 indicadores de gestão relacionados aos diversos temas abordados pelos 17 ODS. O levantamento dos dados foi realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e a iniciativa também conta com o apoio do projeto CITinova.

Jeffrey Sachs abriu o encontro falando sobre a importância das cidades para o desenvolvimento sustentável e a elaboração de políticas públicas municipais que atendam as metas previstas nos ODS. Ele destacou o caso das cidades de Nova York e Pittsburgh, onde os objetivos são usados no processo de planejamento local e vêm ajudando os governos a promover transformações importantes em diversas áreas, como saúde, emprego, energia limpa e tecnologia, entre outras.

Sachs falou também sobre a importância de um índice nesse processo. “Sou muito otimista com o lançamento de um índice municipal relacionado aos ODS em um país como o Brasil. Agora a chave é colocá-lo em uso e aproveitar esses dados e indicadores para dar um passo adiante, para elaborar planos para atingir as metas da Agenda 2030”, comentou. “Espero que em breve possa haver uma nova relação entre os governos federal, estaduais e municipais, e também que seja possível aprofundar esse trabalho nas municipalidades da região amazônica, que é tão importante para o desenvolvimento sustentável”, complementou o presidente da SDSN.

O papel das cidades no enfrentamento dos vários desafios globais também foi destacado por Jorge Abrahão. “As cidades são agentes importantíssimos de transformação. É no nível local que se manifestam os problemas, mas também as soluções. Na pandemia, pudemos observar que as marcas mais profundas estão ficando efetivamente nas cidades”, disse Abrahão.

O coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis ressaltou ainda a necessidade de se envolver diferentes atores na busca de soluções. “Os desafios são grandes demais para serem enfrentados apenas por alguns segmentos. É importante envolver governos, iniciativa privada e sociedade civil para que se possa definir investimentos, programas e políticas públicas para avançar nos ODS em que as cidades estão mais frágeis”, destacou. “Essa é a ideia do índice: estimular a Agenda 2030. Estimular o protagonismo das cidades para que elas possam assumir diferentes agendas, a agenda dos direitos humanos, do enfretamento das desigualdades e das mudanças climáticas. E, pela primeira vez, teremos uma fotografia das cidades e seus avanços nos ODS, suas virtudes e fragilidades.”

O embaixador da União Europeia no Brasil, Ignácio Ibanez, destacou que, seis anos após a aprovação da Agenda 2030, todos os países estão longe de alcançar as metas estabelecidas pela ONU em 2015. “No Brasil, não é diferente. Temos que juntar esforços para superar os desafios sociais, econômicos e ambientais que se agravaram com a pandemia”, disse Ibanez. Ele também reforçou a necessidade de envolvimento de diferentes atores na busca de soluções, especialmente dos governos locais e da sociedade civil. “Eles estão na linha de frente dos problemas relativos à gestão das cidades, como evidenciaram as deficiências do desenvolvimento urbano no Brasil, aumentando o agravamento das desigualdades existentes, dos problemas sociais e da prestação de serviços básicos.”

Para Diego Aulestia, da Cepal, o índice constitui um parâmetro de referência para o Brasil e a América Latina. “Um índice com essas características provê também evidências não só para as autoridades e formuladores de políticas públicas, mas a todos os cidadãos e atores interessados no desenvolvimento de sua localidade.”

Encerrando o evento de lançamento do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil e representando o projeto CITinova, Sávio Raeder, diretor do Departamento de Ciências da Natureza, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), enfatizou a importância da parceria entre o Programa Cidade Sustentáveis (PCS) e esse projeto multilateral que conta com recursos do Fundo Global par o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês). “Em todas as iniciativas do CITinova, há uma forte preocupação com a contribuição de evidências científicas para o alcance das metas dos ODS”, afirmou Raeder. “E o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades, lançados hoje pelo PCS, é um exemplo da contribuição do melhor conhecimento científico para o apoio ao planejamento e à gestão municipal com foco na Agenda 2030.”

Informações da Assessoria de Comunicação do PCS


Veja como foi o encontro virtual de lançamento do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil. O evento foi aberto ao público e contou com mais de 700 participantes. Leia também a matéria completa na plataforma do PCS e acesse o site IDSC.


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