No Dia Mundial da Água, estudo aponta caminhos para proteger os mananciais do DF

No Dia Mundial da Água, 22 de março, foi divulgado um importante estudo sobre o índice de sustentabilidade nas bacias do Descoberto e Paranoá e na microbacia do Rodeador, do Distrito Federal, realizado pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA-DF), no âmbito do projeto CITinova. Para lançar o estudo, a SEMA organizou um webinário no qual foi discutido com mais de cem participantes o tema Risco e Sustentabilidade Hídrica no Distrito Federal: Uma visão do presente e do futuro.

Participaram da mesa de abertura do evento, o secretário de Meio Ambiente do DF, José Sarney Filho, o secretário de Pesquisa e Formação Cientifica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcelo Marcos Morales, o oficial de Programa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Asher Lessels, a diretora do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Regina Silvério, o diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (ADASA), Raimundo da Silva Ribeiro Neto e o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Paranaíba no Distrito Federal (CBH Paranaíba-DF), Ricardo Tezini Minoti.

Sarney Filho destacou o Dia Mundial da Água como um alerta para as consequências do aquecimento global, que estão afetando o bioma Cerrado e todo o mundo. “As mudanças climáticas já estão aí e nós temos que nos adaptar. Por isso a importância de um evento como este de hoje, em que apresentamos um levantamento sobre a situação da água em determinadas bacias, que faz com que possamos prever e tomar providências cabíveis para que crises não ocorram e, se ocorrerem, possam ter seus efeitos diminuídos”, disse.

Marcelo Morales, do MCTI, também enfatizou a importância da data “para o planeta, para todos os seres vivos, e para o bioma Cerrado, conhecido como o berço das águas por abrigar as nascentes de oito das doze importantes bacias hidrográficas do País”. Segunde ele, ao apoiar iniciativas como este estudo realizado pela SEMA-DGF, o MCTI, por meio do projeto CITinova, “espera contribuir na recuperação dos solos em áreas de nascentes e na construção de políticas públicas que garantam a segurança hídrica do Distrito Federal”. Morales também falou da relevância da temática da segurança hídrica para o CITinova ao “unir governo e sociedade em favor da construção de uma sociedade comprometida com os limites planetários, tendo o acesso a água como um direto humano”.

Asher Lessels, do PNUMA, ressaltou o potencial de replicabilidade do estudo. “As soluções que o projeto CITinova está implementando para melhorar as gestões das bacias do DF não são só para ajudar Brasília, mas para gerar boas práticas a serem escaladas em outras cidades brasileiras, latino-americanas e do mundo”, afirmou.

Em seguida, o estudo foi apresentado pelo professor da Faculdade de Tecnologia, da Universidade de Brasília (UnB), Henrique Marinho Leite Chaves, responsável por sua realização. O conteúdo inovador tem como objetivo apontar gargalos que precisam ser sanados para a construção de políticas públicas que garantam a segurança hídrica do DF, aumentando também sua sustentabilidade no futuro. Assim, o estudo aponta cenários para curto, médio e longo prazos, a partir da análise da aplicação do índice de sustentabilidade hídrica nas bacias do Descoberto, do Paranoá e do índice de risco hídrico na sub-bacia do Rodeador, alvo de um estudo-piloto por ainda não ser regulada por reservatório.

O estudo também indica ferramentas para a melhoria da segurança hídrica do Distrito Federal a partir de uma análise integrada que propõe a associação de ciência e gestão, para dirimir problemas apontados a curto prazo e evitar que cenários previstos para o futuro se concretizem. “Estamos na média, o que é um lugar perigoso porque dá um certo conforto, mas a parte de baixo dela também é possível”, alerta o professor.

A ação foi realizada no âmbito do CITinova, projeto multilateral que conta com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente ( Global Environment Facility – GEF) e cuja execução é de responsabilidade do MCTI. Implementado pelo PNUMA, a execução no Distrito Federal é realizada pela Sema-DF e CGEE.

Estudo – “O cálculo desses índices, que podem ser feitos como tarefa de ciências, empoderam a sociedade civil, que poderia calcular os índices das bacias onde moram. A grande inovação do projeto CITinova é que, além de dar respostas para a gestão de bacias hidrográficas em situações de pressões futuras e atuais, é educacional. Se juntarmos essa preparação com educação, estamos caminhando bem”, diz o professor Henrique Marinho Leite Chaves. .

Os resultados do estudo apontam que o risco hídrico atual da bacia do Rodeador foi médio e alto, no futuro. A sustentabilidade hídrica atual das bacias do Paranoá, Descoberto e Rodeador foi média e baixa no futuro (no caso do Rodeador), devido à tendência de forte redução de oferta e aumento da demanda. Já a sustentabilidade atual das bacias do Paranoá e Descoberto foi média, com gargalos relativos à oferta hídrica e às respostas.

Entre as recomendações, o professor elenca a necessidade de medidas de adaptação como instrumentos regulatórios, econômicos, educativos e de governança; de prevenção, como o aumento da eficiência do uso da água; preparação, com a gestão da oferta e da demanda de água; de resposta, com o alívio dos efeitos diretos de eventos extremos. Além da gestão adaptativa para curto, médio e longo prazos e; avaliação do risco hídrico e sustentabilidade atual e futura de bacias que também abastecem o DF, como Paranaíba, Preto e Maranhão.

A coordenada do Citinova no GDF, Nazaré Soares, disse que o trabalho que a Sema realiza no âmbito do projeto no DF é muito importante. “Esse é um estudo inovador sob vários aspectos e demandou um esforço muito grande na sua concepção”, afirmou.

Informações da Assessoria de Comunicação da SEMA-DF


Foto de aberturaFoto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

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