Micro estações climáticas irão favorecer ações de monitoramento e alerta no Recife

A promoção de mecanismos para capacitar o planejamento e gestão eficaz no que diz respeito à emergência climática, bem como a resiliência e capacidade de adaptação às catástrofes naturais, estão presentes no ODS 13, da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). O CITinova, projeto multilateral financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), atua na realização de projetos-pilotos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e dá ênfase a medidas que apoiem no combate à mudança do clima e seus impactos. Um exemplo é o projeto-piloto das Micro Estações de Monitoramento do Microclima, desenvolvido na capital pernambucana pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES).

Com o objetivo de favorecer os gestores públicos na tomada de decisões baseadas em evidências e a mitigação de danos causados por questões climáticas, serão implementadas duas unidades de micro estação de monitoramento do clima, da poluição atmosférica e da água, e uma que coletará dados apenas de poluição e clima, além do desenvolvimento de uma plataforma para dar acesso aos dados coletados nas micro estações.

Com isso, a partir de rotinas estatísticas de previsão climática, será possível antecipar problemas no Recife e preveni-los a partir da antecipação de ações. “Todos os anos temos casos de deslizamento de barreiras, enchentes e tombamento de árvores, por exemplo, que geram grandes transtornos e muitas vezes resultam em mortes”, comenta Camila Lopes, gestora do projeto CITinova pela ARIES. “O intuito é que no futuro a análise dos dados coletados possa permitir que estejamos preparados para esses eventos. Quanto mais estações forem produzidas, maior a qualidade dos alertas climáticos.”

Trabalho preventivo de contenção de barreiras. Foto: Andrea Rêgo

Segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), além de contribuir para aquisição de dados da qualidade do ar e da água e para o detalhamento climático das variáveis específicas do clima, as Micro Estações agregam informações sobre as características microclimática do Recife, como as ilhas de calor, por exemplo. Thiago Luiz, meteorologista da Agência, destaca que o equipamento de telemetria – que realiza a coleta, a medição e o armazenamento de dados de forma remota – permite aumentar a frequência de amostragens no monitoramento. “Uma vez que os dados chegam à APAC sem ser necessário ir a campo, as probabilidades de registrar algum evento de alteração na qualidade da água em tempo real aumentam bastante”, comenta o meteorologista.

Plataforma de dados

Para além dos sensores de coleta de informações, as micro estações necessitam de uma plataforma de dados funcional e adaptada às necessidades dos profissionais que irão utilizá-la. Desta forma, a primeira etapa de desenvolvimento da plataforma foi composta por rodadas de entrevistas com atores do projeto, diversos usuários e órgãos que viabilizarão a proposta, como a Defesa Civil, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco e a Agência Pernambucana de Águas e Climas, sendo, este último, identificado como órgão principal da utilização dos dados que serão fornecidos pelo projeto-piloto. “A Apac utiliza os dados já existentes para a promoção de alertas e análises, além de possuir os setores de gerência de água, poluição e clima. Isso torna a Agência apta a utilizar as micro estações e, consequentemente, compatível com os objetivos do projeto”, afirma Isadora Freire, coordenadora técnica do CITinova em Recife.

O projeto realizou também etapas de desenvolvimento do sistema de informação, prototipação e modelagem. Durante os últimos dois meses, foram promovidos workshops com representantes das áreas de Clima, Qualidade do Ar e Qualidade da Água, da Agência Pernambucana de Águas e Climas. Segundo Isadora Freire, coordenadora técnica do projeto CITinova, o principal objetivo dos workshops foi compreender a dinâmica de trabalho da Apac e o emprego dos dados por diferentes perfis. “Realizamos a construção de perfis, a validação e o desenho da jornada dos usuários técnicos. Queríamos entender, por exemplo, como é o dia-a-dia de um técnico da qualidade do ar, quais dados vão ser visualizados e utilizados por eles”, explica. De acordo com a coordenadora, a cenarização de situações cotidianas e problemas a serem resolvidos auxiliou no entendimento de como a plataforma precisa funcionar para agregar valor aos funcionários da Agência.

Conduzidos pelo Instituto Senai de Inovação – Unidade de Tecnologia da Informação e Comunicações (ISI-TICS) e realizados por meio de uma metodologia de design think, os workshops abordaram tanto o nível técnico quanto o nível da gerência de cada área, resultando num protótipo de alta fidelidade. O meteorologista Thiago Luiz participou dos workshops e avalia o projeto-piloto como eficiente e otimizado. “A maneira como está sendo realizada a dinâmica, tendo uma comunicação prévia entre usuário e desenvolvedor, praticamente deixa os produtos com melhor funcionalidade para usar os dados monitorados de forma fácil, ágil e eficiente”, diz.

A união de esforços entre o projeto CITinova desenvolvido pela ARIES, a Agência Pernambucana de Águas e Climas e demais envolvidos no piloto, como o Instituto Senai de Inovação, objetiva uma entrega eficiente e escalável do projeto-piloto de Micro Estações de Monitoramento Climático no Recife.

O CITinova é um projeto multilateral cuja realização é de responsabilidade do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com implementação pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), e execução, em Recife, pela ARIES e Porto Digital.

Por Giselle Cahú, da equipe de comunicação ARIES/CITinova


Foto de abertura Foto: Pixabay

Leia também