ARIES realiza evento “Janelas para o Capibaribe: Navegação Exploratória”

Com nome originado da língua Tupí, o Capibaribe é um dos rios mais importantes do estado de Pernambuco, no nordeste do Brasil. Nascido na Serra do Jacarará, município do Poção, no agreste do estado, as “Águas das Capivaras”, como sugere o nome em Tupí, cortam, em seus 240 quilômetros de extensão, a Zona da Mata e a Região Metropolitana do Recife até desaguar no Oceano Atlântico.

Em homenagem ao Dia do Rio Capibaribe, comemorado hoje na cidade do Recife, o projeto CITinova, executado na capital pernambucana pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), em parceria com o Porto Digital, realizou no último sábado (21/11) o evento Janelas para o Capibaribe: Navegação Exploratória.

Com o objetivo geral de desenvolver e incentivar soluções tecnológicas inovadoras, bem como planejamento urbano integrado para apoio da administração pública na promoção de cidades sustentáveis, o CITinova, um projeto multilateral financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e parceiros coexecutores, encontrou no Rio Capibaribe o local perfeito para a realização de três projetos-piloto: a urbanização de dois trechos à margem do Rio, jardins filtrantes e barco solar.

Navegação Exploratória no Rio Capibaribe. Fotos: Giselle Cahú

A navegação exploratória é uma etapa do Diagnóstico Participativo que está ocorrendo durante todo o mês de novembro nas margens do Capibaribe determinadas como locais de intervenção do projeto: a comunidade do Caiara, localizado no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife; e a comunidade Vila Vintém, no bairro do Parnamirim, Zona Norte da cidade. O diagnóstico objetiva compreender, através do processo de participação, que elementos devem existir na urbanização das margens para contemplar toda a comunidade.

O passeio de Catamarã promoveu o encontro entre os representantes comunitários das margens que serão beneficiadas pelo projeto CITinova, permitindo que experienciassem o percurso do barco, além de apresentar bons exemplos de urbanização para otimizar o processo de participação no diagnóstico. Colaboradores da Aries que estão atuando nos projetos-pilotos também participaram do evento. Os resultados dessa ação são visíveis: olhos atentos ao Rio, sentimento de alegria e, principalmente, a beleza de abrir novas janelas e ver o Recife sob suas águas.

Fotos: Giselle Cahú e Luana Alves

Trajeto afetivo

A Navegação Exploratória seguiu um roteiro diferente dos passeios tradicionais. Saindo do Marco Zero do Recife, o Catamarã percorreu o Rio Capibaribe até o Jardim do Baobá, uma margem urbanizada pelo Projeto Parque Capibaribe, que oferece as diretrizes para a urbanização que será realizada pelo CITinova. No baobá, os moradores foram convidados a fotografar o que desejam para suas respectivas comunidades.

Compartilhamento de relatos e apresentação do Projeto Parque Capibaribe, no Jardim do Baobá. Foto: Giselle Cahú

Do Baobá, o passeio seguiu até a margem da Vila Vintém, no bairro do Parnamirim, local onde futuramente será localizada uma estação do Barco Solar. Foi nesse momento, olhando para sua comunidade, que a moradora Fabiane de Lima, agente de combate de endemias compartilhou sua vivência na Vila Vintém: “Minha mãe veio para cá quando eu tinha três meses de idade, minha infância foi aqui. Esse lugar é lindo, é como se fossemos uma grande família, com muitas diferenças, mas muita união”.

Ela contou que morava em casa de tábua e hoje seus filhos têm casa de alvenaria. “Eu moro ali, numa casinha em uma das principais avenidas do bairro de Casa Forte”, apontou. “Tem uma praça em frente à minha casa e estou ao lado do shopping. Sou feliz por morar aqui e por esse privilégio de ter uma área verde, de já ter convivido com o pessoal das palafitas, com famílias que hoje moram no Caiara. Eu acordo todas as manhãs com o Rio Capibaribe em frente à minha janela, não quero sair daqui por nada.”

A última parada foi às margens do Parque do Caiara, localizado no Bairro da Iputinga. Luana Alves, arquiteta e urbanista do Projeto CITinova pela ARIES, aproveitou o momento para falar um pouco mais sobre um dos projetos-piloto, o Jardim Filtrante: “Uma tecnologia baseada na natureza que oferece uma forma de tratar a água através de plantas, da fitorremediação”. Luana explicou que agora está sendo definido, junto à comunidade, o melhor uso a ser dado à água tratada, como uma horta comunitária ou uma fonte de água para as crianças. “Por isso é tão importante estarmos juntos aqui para ouvir as necessidades da comunidade”, afirmou.

Finalizando as participações, Dona Nevinha, representante comunitária da Iputinga, compartilhou com todos o seu depoimento sobre a vida e a história do Caiara: “A luta para emancipação e valorização dessa comunidade começou em 1982. O Parque do Caiara era um grande areal, mas era o espaço de convivência da criançada, dos pescadores, do pessoal de barco”. Ela lembrou que sempre existiu a cultura da travessia do Rio, com os moradores da Iputinga atravessando de barco para a Festa do Morro da Conceição, que ocorre anualmente no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife.

“A Iputinga hoje tem mais de 60 mil habitantes, muitos conjuntos habitacionais foram construídos e absorvendo comunidades, como as palafitas do Pina. Mais de 400 famílias das palafitas vieram para cá. A luta pela moradia na nossa comunidade é muito forte, o déficit habitacional da Iputinga ainda é grande. Hoje, depois de 20 anos de luta, nós temos o Parque do Caiara, que receberá o toque final pelo projeto da ARIES. No mais, a Iputinga é essa beleza, é o bairro dos artistas, muito amado por todos”, relatou Dona Nevinha.

  O Capibaribe, que hoje separa territórios de alto e baixo poder aquisitivo, passará a ter um elo entre os bairros do Recife, conectando os recifenses e quebrando barreiras da distância. A ARIES, junto com o Porto Digital, está à frente dessas ações do CITinova, projeto inovador que oferece subsídios para a melhoria não apenas do transporte e da qualidade de vida das comunidades recifenses, mas também para o Rio Capibaribe. No decorrer da Navegação Exploratória, foram criados laços entre os moradores e o Rio, uma importante relação de afeto e respeito com a natureza, assim como o orgulho de ter futuramente um local de convivência às margens do belo Capibaribe.

Por Giselle Cahú, da equipe de comunicação ARIES/CITinova


Foto de abertura Foto: Luana Alves

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