Desde março, com o início do isolamento social devido ao novo coronavírus, os parceiros do CITinova estão tomando várias medidas mitigadoras para que sejam cumpridos todos os compromissos previstos neste amplo projeto multilateral com abrangência nacional e ações específicas em Brasília e Recife. Assim, enquanto atividades de campo e de mobilização social tiverem de ser adiadas, foram potencializados eventos virtuais como webinários,workshops temáticos e intercâmbios on-line entre gestão pública, empresas e sociedade.

A equipe CITinova também está realizando ações que colaborem para minimizar os impactos que as cidades brasileiras estão sofrendo com a pandemia dentro do escopo do projeto de promover desenvolvimento sustentável por meio de informação, metodologias e ferramentas de planejamento urbano integrado a gestores públicos e sociedade em geral.

O Programa Cidades Sustentáveis, por exemplo, lançou em sua plataforma o Especial Covid 19, com boas práticas, programas e ações no Brasil e no mundo com resultados positivos no enfrentamento ao novo coronavírus. A série traz também orientações gerais e ferramentas para auxiliar os gestores públicos neste momento e pós pandemia.

Outra importante iniciativa do PCS foi a elaboração do “Mapa da Desigualdade: As capitais Brasileiras e os impactos da Covid-19”, uma série com dados e indicadores relacionados à saúde pública e à condição socioeconômica das populações que vivem nas 26 capitais brasileiras e a relação entre o novo coronavírus e as causas estruturantes da desigualdade no país.

No Distrito Federal, o Sistema Distrital de Informações Ambientais (SISDIA) da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) irá lançar, em agosto, módulos especialistas (ME) com dados inéditos como o ME de monitoramento e controle do território (com produção segura e atual de insumos para o controle da grilagem de terras), o ME de licenciamento integrado de parcelamento de solo, e o ME de sustentabilidade urbana (relação da qualidade dos ambientes urbanos com a saúde humana, incluindo os termos preconizados pela OMS).

Pela primeira vez, será possível integrar os dados da Secretaria de Saúde com novos conhecimentos sobre o impacto positivo ou negativo da saúde ambiental, supressão de vegetação, padrões urbanos em sua relação com zoonoses (dengue, etc) e com a pandemia da Covid-19. [SR1] 

A base dessa importante infraestrutura de dados geoespaciais ambientais para organizar, integrar e ampliar as informações produzidas pelos diversos órgãos do Distrito Federal já é utilizada por 15 órgãos com Acordo de Cooperação – ACT, 221 usuários destes órgãos com permissão de acesso e cerca de 72 mil acessos por mês. 

Com a implementação dos novos módulos, o SISDIA poderá subsidiar as tomadas de decisões com informações que identifiquem áreas de maior vulnerabilidade sanitária, social ou econômica, além de uma gestão remota de diversos processos, com redução de deslocamento físico pelo território (a exemplo dos locais de grilagem) e de idas de empreendedores públicos e privados, pessoas físicas ou jurídicas até o órgão ambiental,  medidas importantes neste momento de pandemia para o andamento dos projetos e a tomada de decisões.

Em Recife, a ARIES e Porto Digital estão planejando a implementação do Integrated Management System (IMS), uma plataforma de suporte à decisão em planejamento urbano baseada em evidências. Com ações coordenadas entre secretarias da Prefeitura do Recife, uma interface com duas ferramentas está sendo estudada para auxiliar especificamente na retomada da economia nos cenários pós Covid.

Na capital pernambucana, também no âmbito do Projeto CITInova, a ARIES e Porto Digital preveem incluir, nas duas revisões do Plano Recife 500 Anos, novos dados sobre a cidade, uma vez que desafios estão se apresentando ou se tornando ainda maiores em consequência do novo coronavírus.

Além disso, estão sendo pensadas, no cenário atual, ferramentas para auxílio de tomada de decisão dos gestores públicos no desenvolvimento de política habitacional. “Estamos trabalhando para um maior impacto social positivo no que se refere à habitação, principalmente para mulheres e outros grupos de maior vulnerabilidade”, afirma Camila Lopes, gerente coexecutora do CITinova pela ARIES.  

Visão de futuro

Com a finalidade de apontar áreas estratégicas de investimento para o enfrentamento de situações extremas de pandemia no contexto urbano brasileiro, o Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (OICS), do CGEE, está desenvolvendo um estudo sobre visão de futuro para as cidades brasileiras. Serão contemplados os temas mapeados pelo Observatório: água, energia, mobilidade, resíduos sólidos, ambiente construído e soluções baseadas na natureza. O OICS também desenvolverá cartilhas sobre os seis temas elencados para auxiliar as cidades piloto do projeto, além do desenvolvimento de um plano estratégico em virtude da nova visão de futuro que está sendo vislumbrada nesse estudo.

“O conhecimento que o CITinova está acumulando tem grande potencial para apoiar gestores na renovação de políticas públicas e iniciativas da sociedade e dos setores produtivos na construção de um país mais resiliente, que supere as pandemias e as limitações para o alcance de melhor qualidade de vida para todos os cidadãos e cidadãs”, afirma Suiá Rocha, coordenadora nacional do projeto.


Foto de aberturaImagem de Gerd Altmann por Pixabay

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