O III Seminário Internacional de Soluções Baseadas na Natureza – O Desafio da Água e as Cidades, em Brasília, foi encerrado com a demonstração de uma experiência prática de SbN no Lixão da Estrutural, realizada pela Secretaria de Meio Ambiente (SEMA/GDF), parceira co-executora do Projeto CITinova.

Especialistas nacionais e internacionais foram ao antigo Lixão da Estrutural, em 12 de março, para conhecer as técnicas que serão aplicadas no local com o objetivo de diagnosticar os níveis de contaminação da área e indicar quais as tecnologias mais adequadas para remediação.

Entre as técnicas inovadoras , que serão implementadas pela SEMA, estão: fitorremediação para teste de absorção de poluentes em um hectare do Lixão, modelo de transporte de contaminantes subterrâneos e tratamento do chorume.  “O objetivo é que, a partir dos resultados, o GDF possa tomar decisões quanto à descontaminação dos corpos hídricos e reparação aos danos causados ao meio ambiente”, afirmou Nazaré Soares, coordenadora do CITinova pela SEMA/GDF.

Eloi Guimarães Campos, professor da UnB, apresenta as técnicas que serão aplicadas pela SEMA-GDF.

Resíduos

O acúmulo de resíduos, durante o período entre 50 e 60 anos em que o Lixão operou, gerou impactos sobre os corpos hídricos que convergem para o Lago Paranoá. Foram cerca de 40 milhões de toneladas despejadas no local, em processo de deposição irregular de rejeitos em área de 200 hectares localizada na divisa com o Parque Nacional de Brasília.

De acordo com o coordenador do estudo contratado pela Sema, o professor da Universidade de Brasília (UnB), Eloi Guimarães Campos, as ações vão se concentrar no tratamento do chorume; na fitorremediação com plantio de espécies nativas e exóticas, que possam reter metais identificados no solo; e no enclausuramento do chorume para evitar que continue se espalhando. Além do uso dos dados na elaboração do Projeto de Recuperação da Área Degradada (Prad), de responsabilidade do Brasília Ambiental (Ibram).

Durante a visita técnica, o professor explicou que, na maioria das cidades, por questões econômicas, o chorume é jogado nos rios, sem passar por uma estação de tratamento. “Nessa área, faremos o tratamento aeróbico e anaeróbico do chorume, e depois o refino, testando metodologias diferentes. São mais de mil metros cúbicos de chorume nas duas piscinas do Lixão. Com essa experiência, esperamos encontrar soluções para diminuir a contaminação do solo, reduzindo de forma significativa a toxidez do líquido”, explicou.

Para a especialista Cecília Herzog, da Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil, que participou da visita ao Lixão, soluções baseadas na natureza são o negócio do século 21. “Precisamos consertar os prejuízos. Os modelos de revitalização apresentados aqui são emblemáticos, mostram que as empresas querem agir de forma diferente. Diminuir a pegada e trazer benefícios em vez de impactos”, disse.

O III Seminário Internacional de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) – O Desafio da Água e as Cidades ocorreu em 10 e 11 deste mês, e foi realizado pelo Ministério da Ciência,Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), por meio do Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (OICS), do Projeto CITinova. O evento reuniu técnicos, secretários municipais, representantes dos ministérios, acadêmicos e ativistas, que debateram como inspirar-se na natureza para criar soluções que enfrentem os grandes desafios urbanos e forneçam melhor qualidade de vida e resiliência climática. Uma aposta que tem ganhado cada vez mais atenção de países.

Com informação da Comunicação da SEMA-GDF

CITinova – Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis é um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência,Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), gestão do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e executado em parceria com Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Ditigal, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Programa Cidades Sustentáveis (PCS) e Secretaria do Meio Ambiente (SEMA/GDF).


Foto de abertura No Lixão, tubos onde o gás é canalizado para sair.

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