Há cerca de dois meses, vinte e duas agricultoras familiares fundaram a Associação Agroecologia Mulheres Rurais do Assentamento Canãa, localizado em Brazlândia (DF), para ampliarem a comercialização de seus produtos. Quando estavam com tudo organizado para alçar voo, elas foram surpreendidas pela COVID-19 e pelo isolamento social. Mas, o fato, em vez de enfraquecer as agricultoras, as uniu ainda mais e serviu como impulso para que elas tentassem com mais força.

“Criamos uma cesta semanal, com dez itens que colhemos na semana, e comercializamos por apenas 60 reais. Os produtos podem variar, e sempre mandamos alguma surpresa ou produto novo para os clientes experimentarem. Outro dia mandei cará-moela para uma cliente, que ficou encantada, pois nunca havia provado”, conta a agricultora Maria Ivanildes Souza, presidente da associação.

Ivanildes é uma das mulheres do Canãa que integram, há mais de um ano, o projeto-piloto Sistemas Agroflorestais (SAF) Mecanizados, implantado nas bacias do Paranoá e do Descoberto sob a coordenação da Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal (Sema).

A iniciativa, que tem como meta a implementação de boas práticas agrícolas inovadoras em Bacias Hidrográficas estratégicas do Distrito Federal para contribuir com a segurança hídrica do DF, integra as ações do Projeto CITinova – Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis.

Agricultoras familiares da Associação Agroecologia Mulheres Rurais do Assentamento Canãa

Novos hábitos e Qualidade

A Associação Agroecologia Mulheres Rurais do Assentamento Canãa se adequou ao momento atual do coronavírus, incorporando novos hábitos: elas entregam com máscaras e luvas, higienizam as mãos com frequência com álcool em gel, e não usam sacolas plásticas. Além disso, o pagamento pode ser feito via cartão ou por transferência bancária, para diminuir o contato.

A entrega para os clientes é realizada todo sábado, num ponto de distribuição na Asa Norte (localizado no antigo Sine, ao lado do Conjunto Nacional), e também estão entrega na residência dos clientes, a partir do pagamento de frete.
Cada cesta é composta com os dez produtos mais colhidos na semana pelas agricultoras – itens como alface, couve, repolho, beterraba, batata doce, cenoura, ora-pro-nóbis, inhame, alecrim, erva cidreira, manjericão, alho-poró, cebolinha, batata yacon, pimenta dedo-de-moça, mostarda, entre outros.

“Estamos tentando fazer o melhor para os clientes; para as agricultoras que integram a associação, para que não percam os produtos que foram plantados com tanto trabalho e carinho; e para o mundo, buscando oferecer o nosso melhor, que é plantar”, disse a agricultora. “Temos percebido que há uma abertura maior para se comprar de pequenos produtores, mas temos desafios, como por exemplo, que os clientes confiem na entrega e nos profissionalizarmos mais.”

O servidor público Paulo Henrique Correa é um dos clientes da associação. Segundo ele, a cesta vem com itens de qualidade. “Dá parar perceber o carinho e a satisfação delas em montar a cesta. O agricultor familiar é importante, ele planta, com amor à terra, e precisa vender. Ao comprar a cesta semanalmente, me sinto parte da produção deles, da família deles, há uma sinergia”, afirmou.

A engenheira florestal Rejane França também virou cliente e concorda com Paulo. “Os produtos que recebi estavam maravilhosos. Folhas frescas e de duração muito maior. As melhores batatas doces que já comi. É importante dar valor aos pequenos para que eles também alcancem o mercado e tenham uma qualidade de vida melhor”, destaca.

Inovação

O CITinova, executado por várias instituições, entre elas a Sema, é coordenado nacionalmente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), e gestão do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Já foram implantados 16 hectares com o modelo. Até o final de 2020, serão totalizados 20 hectares. No sistema agroflorestal acontece o plantio de espécies agrícolas e florestais diferentes em uma mesma área, o que torna possível a produção sem que a natureza seja prejudicada.

“Este sistema possui benefícios econômicos — pois permite que o agricultor diversifique seus produtos — e benefícios sociais, pois ajuda a fixar os trabalhadores no campo, com demanda por mão de obra durante todo o ano”, explica o secretário do Meio Ambiente do DF, Sarney Filho.

Como funciona

A maior inovação desse projeto-piloto da Sema é a mecanização do SAF, visando ampliar e facilitar os trabalhos de campo e incentivar os agricultores familiares a adotarem práticas sustentáveis de cultivo. O projeto está disponibilizando para as SAF selecionadas instrumentos adaptados para apoiar a implantação de agroflorestas, como a enxada rotativa com subsolador e a ceifadeira-enleiradeira.

“Aprendi muito desde que fui inserida no projeto. Minha visão para a minha área e o que ela podia me oferecer aumentou, e o respeito pela terra também. Aprendi como trabalhar com agrofloresta”, afirma Ivanildes.

Após a inclusão no projeto, os participantes passam por capacitação, aprofundamento de conceitos, técnicas e prática, sempre recebendo assistência técnica. A escolha das propriedades e o apoio para os trabalhos de campo – fornecimento de maquinário, mudas e sementes – é realizada por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre a Sema, a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri), a Emater e a Administração do Lago Norte.

Contato da Associação Agroecologia Mulheres Rurais do Canãa – 61 99797232 (Ivanildes)

Informações Assessoria de Comunicação SEMA/GDF

Cada cesta é composta com os dez produtos mais colhidos na semana pelas agricultoras

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