Reportagem de ontem (07/07) no NE2, telejornal da noite da Rede Globo em Pernambuco, apontou o desenvolvimento de um barco movido a energia solar, um dos pilotos do projeto CITinova, como uma importante ação para o enfrentamento da desigualdade social em Recife.  

Desenvolvido pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Digital, o barco irá fazer a travessia do Rio Capibaribe, transportando os moradores de uma margem a outra com conexões na estação Parque do Caiara, no bairro da Iputinga (zona oeste), e estação Murillo la Greca, no bairro Parnamirim (zona norte).

Além de não poluir o ambiente, o projeto visa facilitar e acelerar a travessia entre essas duas margens opostas, cujas características socioeconômicas e territoriais são muito distintas e nas quais o rio acaba se tornando uma barreira e não um elo entre os moradores da capital pernambucana. “É muito importante que o recifense entenda que uma parte da cidade está apartada da outra mais desenvolvida; precisamos integrar isso; e o rio é um elemento de integração”, afirmou Marcos Baptista, presidente da ARIES, em entrevista ao jornalista Bruno Fontes, do NE2.

Margens do Capibaribe: o rio como barreira social.

A reportagem do NE2 deu destaque aos dados do Mapa da Desigualdade entre as Capitais, elaborado pelo Programa Cidades Sustentáveis (PCS), com apoio do projeto CITinova. De acordo com o mapa, Recife registra, ao lado de Belém, a maior concentração de renda entre as capitais, com Índice de Gini (medida para verificar a concentração de renda em uma determinada população) de 0,61. Com o terceiro maior percentual de habitantes vivendo abaixo da linha da pobreza (31%), a metrópole pernambucana tem elevados índices de mortalidade por coronavírus: 93 óbitos por 100 mil habitantes, de acordo com dados de 16 de junho do Mapa da Desigualdade.

“A pandemia está escancarando as desigualdades no Brasil, e, sobretudo, nas grandes cidades brasileiras. Temos de investir na redução das desigualdades, isso é gerador de empregos também”, disse Jorge Abrahão, coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, que integra o PCS e a Rede Nossa São Paulo. O barco movido a energia solar, segundo a reportagem do NE2, também facilitará o acesso da população menos privilegiada aos hospitais da cidade.  .

Modelo sustentável para o barco

O principal desafio do projeto piloto é criar um modelo de negócio sustentável, que garanta o transporte da população pelo barco movido a energia solar e que possa também ser replicado em outras cidades do Brasil e do mundo. Para isso, foi realizado primeiramente um desenho de serviço inovador, com pesquisas quantitativas e qualitativas com moradores e transeuntes de ambas as margens do rio e com barqueiros que fazem a travessia em suas pequenas embarcações.

Após o entendimento das demandas locais e das necessidades diárias da população nas áreas que receberão as intervenções, o projeto entrou agora na fase de desenvolvimento de estudos de viabilidade econômica da operação financeira que garantam a sustentabilidade da operação do barco quando em funcionamento, com identificação e definição da governança a ser implementada. Somente após essas duas etapas vencidas, será iniciado o desenho do barco com sua posterior construção e implementação da operação definida nas primeiras etapas. A previsão de término desse projeto é para abril de 2022.

Toda a ação do barco movido a energia solar se relaciona com os objetivos de desenvolvimento sustentável do CITinova, projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e executado em parceria com Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Digital, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Programa Cidades Sustentáveis (PCS) e Secretaria do Meio Ambiente (SEMA/GDF).

Veja a reportagem do NE2 na íntegra: “Pesquisa aponta Recife como uma das cidades com mais desigualdade social”


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