Agrofloresta melhora vida de agricultores do Descoberto e Paranoá, no DF

O orgulho de ser agrofloresteira está nas palavras e na expressão de Adriana Rodrigues Barros. “Hoje estamos plantando e comercializando nossos produtos em uma feira de orgânicos em Brasília, que já garante, em média, R$ 1,6 mil por mês”, afirma a produtora. Ela faz parte das dezenas de famílias moradoras de áreas nas bacias do Descoberto e do Paranoá, no Distrito Federal, beneficiadas pelos Sistemas Agroflorestais (SAFs) mecanizados, uma iniciativa do projeto CITinova, executada pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA-GDF).

Depois de três anos de trabalho e de ter participado de curso no final do ano passado sobre o manejo de agrofloresta, Adriana e o marido, Moisés, estão sentindo a vida se transformar no Assentamento Gabriela Monteiro, em Brazlândia, a 40 quilômetros de Brasília. O sítio de três hectares do casal já conta com 1 hectare de linhas de plantio com hortaliças, árvores frutíferas, legumes e, em breve, plantas medicinais.

Adriana conta que viu sua terra mudar com o plantio agroflorestal: “A água está mais abundante depois de três anos de trabalho. Estamos plantando água”. Olhando ao redor de sua propriedade e mostrando grandes áreas ressecadas, Adriana só lamenta que muitos assentados ainda não tenham aderido a essa forma de produção.

Técnica bem-sucedida

Coordenadora do CITinova na Sema-GDF, Nazaré Soares citou o sítio do casal Barros como um exemplo a ser seguido. “Aqui estão plantadas espécies de ciclo curto, como as hortaliças, ao lado de outras de ciclo longo, que permitem uma atividade permanente”, explicou. Ela também enfatizou os bons resultados do programa do SAFs. “As mudanças do clima são uma realidade, e o DF precisa se preparar para isso”, afirmou Sarney Filho, secretário do Meio Ambiente

O secretário do Meio Ambiente lembrou que o programa-piloto do CITinova é modelo para outras cidades e até para outros países, com formas de manejo e utilização de maquinário especial para agrofloresta. As famílias envolvidas já participaram de cursos, um deles com a presença do especialista em agricultura sintrópica Ernest Götsch. Os agricultores receberam maquinário desenvolvido por ele para facilitar o plantio e a colheita em agroflorestas.

Além disso, em maio e junho, a séria de oficinas “Água, Gênero e Pertencimento: Cidadania para o Uso e Governança Sustentável da Água nas Bacias Hidrográficas do Descoberto e Paranoá”, oferecida às agricultoras e aos agricultores da região teve como objetivo reforçar a presença feminina nos projetos da Sema/CITInova.

Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), o CITinova é um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o projeto é executado, em Brasília, pela SEMA/GDF e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

*Com informações da Secretaria do Meio Ambiente do DF


Foto de aberturaAdriana Rodrigues Barros, em seu sítio, em Brazlândia, onde se pratica a técnica da agrofloresta (Foto: Divulgação/Sema)

Leia também