Recife dá início à elaboração do Plano de Adaptação Setorial da Cidade

A capital pernambucana avança em sua estratégia de preparação e tomadas de decisões sobre os impactos causados pela crise climática por meio do Plano de Adaptação Setorial da Cidade do Recife (PAS). Em mais um passo importante para adaptação da cidade, buscando reduzir os danos decorrentes das mudanças climáticas, o CITinova apresentou o PAS na primeira reunião conjunta entre o Comitê de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas do Recife (COMCLIMA) e o Grupo Executivo de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas (GECLIMA).

O Plano de Adaptação Setorial da cidade do Recife objetiva contribuir para fortalecer a resiliência dos sistemas socioeconômicos e ambientais e promover o progresso sustentável no meio urbano, como explica Isadora Freire, coordenadora técnica do Projeto CITinova: “O foco do PAS é definir um plano de ações robusto para cada setor para que, a partir dele, o Município consiga destinar ou captar recursos para elaborar e executar ações prioritárias”. O processo também envolve o aprofundamento de conhecimentos sobre riscos, vulnerabilidades e opções de adaptação para os setores de saneamento básico, transformação urbana, mobilidade urbana e economia.

Alinhado ao desenvolvimento estratégico da cidade, o Plano Recife 500 Anos, o PAS é possível graças a estudos como o Índice de Vulnerabilidade Climática do Recife, o IVCR, e dá sequência aos demais planos existentes na capital pernambucana. O PAS está sendo executado pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, WayCarbon e ICLEI.

A iniciativa faz parte do CITinova, um projeto multilateral para a promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras por meio de tecnologias inovadoras e planejamento urbano integrado, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), um dos maiores financiadores de projetos ambientais no mundo.

A apresentação do PAS e do CITinova para o COMCLIMA e GECLIMA contou com a presença da vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão; do secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Carlos Ribeiro; do presidente da Agência Recife para Inovação e Estratégia, Marcos Baptista; da coordenadora nacional do Projeto CITinova, Ana Stival; do secretário executivo do ICLEI América do Sul, Rodrigo Perpétuo; do sócio fundador e diretor da Waycarbon, Henrique Pereira; entre outras entidades com representação no COMCLIMA e GECLIMA.

Limpeza do canal do Rio Morno, Nova Descoberta. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Recife se preparando para o futuro

A capital pernambucana está entre as cidades mais vulneráveis ao aumento médio do nível do mar decorrente da mudança do clima, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Recife tem, portanto, o desafio urgente de adotar soluções, desenvolver ferramentas e instaurar políticas inovadoras para enfrentar e mitigar os efeitos da crise climática.

Durante a apresentação do PAS para o GECLIMA e COMCLIMA , a especialista em Clima do CITinova e pesquisadora associada do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, Patrícia Pinho, apresentou evidências científicas do Relatório Especial do IPCC sobre “Aquecimento Global de 1,5° C”, documento importante para orientação de tomadas de decisões dos gestores públicos no cumprimento do Acordo de Paris. Pinho, que é uma das autoras do IPCC, ressaltou que as cidades costeiras, sobretudo no sul global, são altamente vulneráveis ao aumento das temperaturas globais devido ao aumento do nível do mar, erosão costeira e perda de recifes de corais e pesca, importante base de sobrevivência dessa população.

Na apresentação do PAS, o secretário executivo do ICLEI América do Sul, Rodrigo Perpétuo, reforçou a consciência da gestão da cidade em atuar na agenda climática. “O Recife vem trabalhando intensamente no marco de um projeto financiado pela União Europeia, o Urban Leds, que permitiu que Recife andasse na conformidade climática”, disse Perpétuo. Segundo ele, o PAS irá “acelerar as ações para mitigar e eliminar os riscos à vulnerabilidade climática na cidade do Recife e começar já a construção da cidade do Recife do futuro”.

Para a ARIES, representada pelo diretor-presidente, Marcos Baptista, ter as mudanças climáticas como assunto de destaque é fundamental ao falar sobre o futuro do Recife. “Somos uma cidade territorialmente complexa, com rios, mar, planície e morros, e grandes desafios nessa área. Olhar para as mudanças climáticas é ter um compromisso com a vida de cada recifense”, afirmou Baptista.

Ainda segundo o diretor-presidente da ARIES, o projeto CITinova é fundamental no desenvolvimento sustentável do Recife. O direcionamento do Plano de Adaptação Setorial (PAS) para as áreas de Transformação Urbana, Saneamento Básico, Mobilidade e Economia tem uma pertinência ímpar diante dos desafios que a capital pernambucana apresenta historicamente. “Os setores que farão parte do PAS afetam o nosso dia a dia e precisam se preparar com iniciativas efetivas e mitigadoras dos possíveis danos causados pelas mudanças climáticas.  A reunião conjunta entre o GECLIMA e COMCLIMA consolidou uma etapa importantíssima para o desenvolvimento do Plano de Adaptação Setorial da cidade, que será entregue por nós, por meio do projeto CITinova”, comentou o diretor da ARIES.

O Plano de Adaptação Setorial está sendo desenvolvido em estreito alinhamento ao Plano Local de Ação Climática do Recife, o PLAC, o qual possui suas diretrizes baseadas no conceito de justiça climática. A vice-prefeita do Recife, Isabella de Roldão, fez questão de lembrar que a cidade está atenta ao assunto: “A responsabilidade com a qual a gente lida com essa temática hoje é que vai fazer com que a gente possa ter um futuro em harmonia com o meio ambiente”. Roldão, que é também embaixadora para a América do Sul da Cities Climate Finance Leadership, destacou as mudanças climáticas, “cada vez mais presentes nas nossas vidas, por isso é uma pauta que precisa ser discutida e levada a sério, como temos feito continuamente no Recife, por meio de iniciativas como o nosso Plano Local de Ação Climática”.

A construção do Plano de Adaptação Setorial da Cidade do Recife, realizada pela ARIES por meio de parcerias com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife, o ICLEI e a WayCarbon, ocorrerá de forma dinâmica e colaborativa em três etapas: a formalização do compromisso, por meio da estratégia de comunicação, engajamento e participação social; a realização do diagnóstico, etapa em que serão analisados e avaliados os riscos, além de revistos os planos, estratégias, estudos e políticas existentes; e a concepção dos Planos Setoriais, com a definição de diretrizes, objetivos, metas, consolidação de ações, indicadores de monitoramento, entre outros.

O CITinova é realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e executado, no Recife, pela ARIES e Porto Digital.

Por Giselle Cahú, da equipe de comunicação ARIES/CITinova

CITinova na mídia:

Recife dá início ao Plano de Adaptação Setorial da Cidade

08.07.2021

https://osecretariodopovodorecife.com/recife-da-inicio-ao-plano-de-adaptacao-setorial-da-cidade/

Recife dá início ao Plano de Adaptação Setorial da Cidade

07.07.21

https://www.taisparanhos.com.br/2021/07/recife-da-inicio-ao-plano-de-adaptacao.html

Plano Setorial de Adaptação consolida ações de resiliência climática no Recife

08 de jul de 2021

*Recife dá início ao Plano de Adaptação Setorial da Cidade*

07.07.2021

http://meioambiente.recife.pe.gov.br/noticias/recife-da-inicio-ao-plano-de-adaptacao-setorial-da-cidade


Foto de abertura Turismo e lazer no Recife Antigo. Foto Andréa Rêgo Barros/PCR

Agrofloresta melhora vida de agricultores do Descoberto e Paranoá, no DF

O orgulho de ser agrofloresteira está nas palavras e na expressão de Adriana Rodrigues Barros. “Hoje estamos plantando e comercializando nossos produtos em uma feira de orgânicos em Brasília, que já garante, em média, R$ 1,6 mil por mês”, afirma a produtora. Ela faz parte das dezenas de famílias moradoras de áreas nas bacias do Descoberto e do Paranoá, no Distrito Federal, beneficiadas pelos Sistemas Agroflorestais (SAFs) mecanizados, uma iniciativa do projeto CITinova, executada pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA-GDF).

Depois de três anos de trabalho e de ter participado de curso no final do ano passado sobre o manejo de agrofloresta, Adriana e o marido, Moisés, estão sentindo a vida se transformar no Assentamento Gabriela Monteiro, em Brazlândia, a 40 quilômetros de Brasília. O sítio de três hectares do casal já conta com 1 hectare de linhas de plantio com hortaliças, árvores frutíferas, legumes e, em breve, plantas medicinais.

Adriana conta que viu sua terra mudar com o plantio agroflorestal: “A água está mais abundante depois de três anos de trabalho. Estamos plantando água”. Olhando ao redor de sua propriedade e mostrando grandes áreas ressecadas, Adriana só lamenta que muitos assentados ainda não tenham aderido a essa forma de produção.

Técnica bem-sucedida

Coordenadora do CITinova na Sema-GDF, Nazaré Soares citou o sítio do casal Barros como um exemplo a ser seguido. “Aqui estão plantadas espécies de ciclo curto, como as hortaliças, ao lado de outras de ciclo longo, que permitem uma atividade permanente”, explicou. Ela também enfatizou os bons resultados do programa do SAFs. “As mudanças do clima são uma realidade, e o DF precisa se preparar para isso”, afirmou Sarney Filho, secretário do Meio Ambiente

O secretário do Meio Ambiente lembrou que o programa-piloto do CITinova é modelo para outras cidades e até para outros países, com formas de manejo e utilização de maquinário especial para agrofloresta. As famílias envolvidas já participaram de cursos, um deles com a presença do especialista em agricultura sintrópica Ernest Götsch. Os agricultores receberam maquinário desenvolvido por ele para facilitar o plantio e a colheita em agroflorestas.

Além disso, em maio e junho, a séria de oficinas “Água, Gênero e Pertencimento: Cidadania para o Uso e Governança Sustentável da Água nas Bacias Hidrográficas do Descoberto e Paranoá”, oferecida às agricultoras e aos agricultores da região teve como objetivo reforçar a presença feminina nos projetos da Sema/CITInova.

Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), o CITinova é um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o projeto é executado, em Brasília, pela SEMA/GDF e pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

*Com informações da Secretaria do Meio Ambiente do DF


Foto de aberturaAdriana Rodrigues Barros, em seu sítio, em Brazlândia, onde se pratica a técnica da agrofloresta (Foto: Divulgação/Sema)