Programa de recuperação de nascentes finaliza plantio em área rural do DF

Em 2021, foram implantados 70 hectares em propriedades rurais nas Bacias do Descoberto e Paranoá, pela SEMA-GDF, no âmbito do CITinova

“Estamos plantando árvores para termos mais água no futuro”, disseram os irmãos João Paulo e Felipe Novais, filhos do produtor rural José Paiva, um dos beneficiários do programa de recuperação de nascentes e Áreas de Proteção Permanente (APPs) degradadas no Distrito Federal, realizado pela Sema-GDF, em parceria com o Projeto CITinova.

Considerando o auge da crise hídrica, em 2016, a ação tem como objetivo contribuir com a segurança hídrica da região para o abastecimento público e a sustentabilidade da agricultura. O tratamento para recomposição florestal utiliza espécies arbóreas e agrícolas nativas do Cerrado, como o urucum, baru e ipês.

No primeiro semestre de 2021, foi finalizada a implantação de 70 hectares em área rural, sendo 20 hectares na região da Serrinha do Paranoá, cinco hectares no Córrego do Ipê, na Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Granja do Ipê e 45 hectares na Bacia do Descoberto.

Plantio de mudas na Bacia do Descoberto. (Foto: Arquivos Sema/CITinova)

Para Nazaré Soares, coordenadora do CITinova pela Sema-DF, a iniciativa cumpre uma função essencial para a adaptação aos impactos das mudanças do clima. “Seja para contribuir com a proteção da biodiversidade ou para garantir a produção de água em quantidade e qualidade”, destacou.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Sarney Filho, a ação cumpre com os objetivos de consolidar uma área de recuperação de nascentes e APPs degradadas. “Estamos indo no caminho certo. É um trabalho muito bem feito e estou muito otimista.”

Benefícios para pequenos produtores rurais do DF

Além de preservar as nascentes, o uso de diferentes técnicas de tratamento para restauração da vegetação traz outros benefícios: pode unir vertentes ambientais, econômicas e sociais, “contribuindo como um todo para a população e o meio ambiente”, explicou Elisa Meirelles, subsecretária substituta de Gestão das Águas e Resíduos Sólidos da Sema-DF.

Ana Karl, engenheira agrônoma da Equilíbrio Ambiental, empresa contratada pelo projeto para a prestação de serviços técnicos especializados, destacou a participação dos proprietários: “Durante a implantação das técnicas, eles receberam treinamento sobre os métodos de plantio, abertura dos berços, adubação, ecologia das e a importância da manutenção das áreas”.

Beneficiado anteriormente com o Sistema Agroflorestal Mecanizado, outra entrega da Sema/CITinova no DF, o agricultor Ronaldo Andrade foi um dos selecionados para a iniciativa de recuperação vegetal em Brazlândia, na Bacia do Descoberto.

Ele acompanhou mais um plantio em sua propriedade e, agora, acompanha diariamente o desenvolvimento das mudas. “Fico imaginando uma bela floresta daqui alguns anos”, declarou Andrade.

Preocupados com a área desmatada nas margens do Córrego Jerivá, no Lago Norte, que abastece a Bacia do Paranoá, os irmãos João Paulo e Felipe Novais puderam realizar o desejo de reflorestar a área. “Esperamos ter uma propriedade mais verde e um córrego  mais abundante em água”, disse João Paulo.

João Paulo e Felipe Novais na propriedade da família, próxima ao Córrego do Jerivá, no Lago Norte.Foto:Arquivo SEMA/CITinova

Depois de acompanhar a implantação na propriedade pelo programa, a família recebeu a doação de mais mudas de um viveiro da região para continuar com o plantio de espécies nativas. Para Felipe, “é um privilégio cuidar e desfrutar desse espaço”.

Regularização de Reserva Legal

A ação auxilia o produtor rural na continuidade da manutenção dessas áreas e implantação de outras Áreas de Reserva Legal para serem regularizadas, por meio do Programa de Regularização Ambiental (PRA), previsto na Lei n° 12.651/2012, do Novo Código Florestal.

Resultados

Ao todo, foram implantados 80 hectares no DF. Além dos 70 hectares implantados nas propriedades rurais, selecionadas em outubro de 2020, foram entregues dez hectares nos Parque de Águas Claras e do Riacho Fundo (cinco hectares em cada).

Agora, as próximas etapas são a manutenção e monitoramento para áreas. Ao final do projeto, as informações sobre o processo de recuperação serão sistematizadas e disponibilizadas.

Por Gabriela Fonseca, da equipe de Comunicação Sema-DF/CITinova.


Foto de aberturaRonaldo Andrade participou do plantio de mudas junto com a equipe do programa. (Imagem: Equilíbrio Ambiental)