Plano Recife 500 Anos ganha versão reduzida impressa e digital

Lançada neste mês de março, a versão impressa e reduzida do livro do Plano Recife 500 Anos, desenvolvida pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), parceira coexecutora do CITinova, acaba de ser disponibilizada também para download na versão digital.

O Plano Recife 500 Anos consiste em uma proposta de estratégia de desenvolvimento da capital pernambucana por meio da participação popular, da colaboração com especialistas e pesquisadores, e da articulação com iniciativas públicas e privadas.

O material impresso e agora também em versão digital apresenta o plano estratégico para o Recife de forma objetiva e versa sobre a importância de um planejamento de longo prazo, a metodologia do Plano, a síntese dos três “R”s – Reunir, Reviver e Reinventar o Recife, e as grandes transformações propostas para a cidade. Oferece ainda uma prévia do painel de indicadores que está sendo desenvolvido pela ARIES em conjunto com o projeto CITinova.

O futuro que desejamos

O planejamento é a premissa para alcançar com excelência um objetivo a longo prazo. É impossível avançar como cidade sem determinar o que ela quer e precisa ser no futuro.  A partir dessas premissas e da identificação da necessidade de rotas ordenadas para o desenvolvimento do Recife, a ARIES construiu o Plano Recife 500 Anos, um plano estratégico visionário com marco referencial de implementação em 2037, ano em que o Recife se tornará a primeira capital do Brasil a completar 500 anos.

Elaborado por meio de ampla abordagem popular e participativa, o Plano traz a integração do desejo da população refletido nas políticas públicas e planos de governo a partir de 17 caminhos estratégicos para orientar projetos e promover mudanças que levam à construção do Recife do futuro.

Segundo Marcos Baptista, presidente da Agência Recife para Inovação e Estratégia, uma das premissas da ARIES é executar apenas projetos que estejam em consonância com o Plano Recife 500 Anos. “O planejamento integrado é um instrumento fundamental para as políticas públicas tornarem-se efetivas e mais assertivas nas soluções dos problemas das pessoas que moram nas cidades”, comenta Baptista. “Por ter na sua base o planejamento integrado, o projeto CITinova é um parceiro importantíssimo para auxiliar a ARIES e o Município do Recife a trilhar o caminho para o futuro que os recifenses desejam e precisam.”

O Plano Recife 500 Anos também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), à Nova Agenda Urbana (NAU) e ao programa do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) de promoção do planejamento urbano sustentável diante dos seus quatro eixos estruturais: Inclusão e Desenvolvimento Humano; Desenvolvimento Econômico; Sustentabilidade Ambiental; Espaço Urbano e Mobilidade.

Projetos-pilotos do CITinova em Recife

Projeto multilateral financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), sob responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o CITinova é implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e executado, no Recife, pelos parceiros ARIES e Porto Digital.

Os projetos-pilotos realizados na capital Pernambucana pela ARIES estão alinhados a diversos caminhos estratégicos do Plano Recife 500 Anos, como os Jardins Filtrantes, alinhados à Resiliência Ambiental; a Urbanização de Duas Margens do rio Capibaribe, que integra o caminho Cidade-Parque; e o Sistema de Desenvolvimento Integrado, previsto no caminho estratégico Gestão Baseada em Evidências.

Visando a manutenção do desenvolvimento da cidade, uma das principais entregas do projeto é o Sistema de Gerenciamento Integrado, ou Integrated Management System (IMS, sigla em inglês). Este piloto prevê a elaboração de um sistema de gestão de informações que irá conectar diferentes departamentos e promover a coordenação na execução dos planos setoriais da cidade. Assim, o IMS será uma ferramenta de apoio à gestão pública baseada em evidências e às tomadas de decisões municipais a partir de dados vivos, buscando, com isso, a diminuição de problemas enfrentados diariamente pela população, como congestionamentos, longos tempos de deslocamento e poluição do ar e da água.

Para Isadora Freire, coordenadora técnica do projeto CITinova pela ARIES, o IMS é uma ferramenta fundamental para a cidade. “Quando uma gestão é feita dessa forma, está alinhada ao planejamento de longo prazo, buscando melhorar os indicadores e as condições da cidade apontadas nos dados”, afirma Isadora. Segundo ela, o Sistema de Gerenciamento Integrado se relaciona com o Plano Recife 500 Anos nos caminhos estratégicos e nos projetos que falam sobre decisão baseada em evidências e na cidade do conhecimento.

O IMS também rastreará o progresso em direção aos planos da cidade, como o Plano Diretor e o Plano Recife 500 Anos. Disponível online para as autoridades municipais, políticos e o público, o projeto-piloto poderá ainda ser visto como uma ferramenta de pressão pública para a tomada de ações que atendam às metas e objetivos traçados para a cidade do Recife.

Para acessar a versão reduzida do Plano Recife 500 Anos clique aqui.

Por Giselle Cahú, da equipe de comunicação ARIES/CITinova

Sema apresenta iniciativas voltadas à segurança hídrica do DF no âmbito do CITinova

Na Semana Mundial da Água, a segurança hídrica do Distrito Federal tem sido o foco de eventos que reúnem gestores públicos e instituições para debater políticas públicas executadas para proteger ou recuperar áreas importantes para a manutenção dos recursos hídricos do DF. Nesta quinta-feira, (25/3), projetos desenvolvidos pela Secretaria de Meio Ambiente no âmbito do projeto CITinova foram apresentados em um evento online. As iniciativas estão presentes nas Bacias Hidrográficas do Descoberto e do Paranoá e na Orla do Lago Paranoá.

O público pode conhecer as ações de Recomposição da vegetação nativa em Áreas de Proteção Permanente (APPs) de nascentes, cursos hídricos e em áreas de recarga das bacias hidrográficas do Descoberto e do Paranoá; Água Estruturada para irrigação da Bacia Hidrográfica do Descoberto; Sistemas Agroflorestais (SAFs) Mecanizados nas bacias do Paranoá e do Descoberto.

A subsecretária de Assuntos Estratégicos da Sema, Márcia Coura, apresentou o Projeto de Recuperação de APPs da Orla do Lago Paranoá, que envolve o plantio de espécies nativas. Na Orla Sul, as ações contam com recursos do Fundo Único de Meio Ambiente do Distrito Federal (Funam). Com diagnóstico já concluído, uma segunda etapa do plantio envolverá a Orla Norte do Paranoá, dentro do programa Recupera Cerrado, com recursos da Fundação Banco do Brasil.

O secretário de Meio Ambiente, Sarney Filho, lembrou que as experiências implantadas são projetos-pilotos. “Mas acredito servirão como referência para outros estados e também, quem sabe, para outros países, já que Brasília tem um lugar importante como capital da República. Alguns embaixadores, inclusive, já manifestaram o desejo de conhecer pessoalmente essas ações, o que não aconteceu ainda em função da pandemia”, explicou.

Para o secretário, o Distrito Federal está encontrando seu caminho para garantir a segurança hídrica. “Assim, colaboramos com o avanço rumo à sustentabilidade e também tomamos medidas de adaptação para as mudanças climáticas que virão, certamente”, afirmou.

A Bacia do Descoberto/Alto Descoberto contempla o Alto Rio Descoberto, o Ribeirão Rodeador e o Ribeirão das Pedras. Já a Bacia do Paranoá, inclui o Lago Paranoá – Serrinha do Paranoá e a área do Riacho Fundo conhecida – ARIE Granja do Ipê. Juntas, respondem pela maior parte do abastecimento público do DF.

O diretor nacional do CITinova, Antônio Marcos Mendonça, lembrou que o projeto liderado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) tem a duração de quatro anos e se aproxima da etapa final de execução, em meados de 2022. Ele reforçou o caráter de replicabilidade das experiências implementadas pelo projeto. “Em Brasília, inúmeras iniciativas para segurança hídrica estão sendo executadas pela Sema nas bacias hidrográficas do Descoberto e do Paranoá, duas bacias de extrema relevância para o abastecimento e sustentabilidade do DF. Os projetos-pilotos apoiados pelo CITinova ficarão disponíveis e servirão de modelo para ser replicadas em larga escala por gestores públicos de todo o país”, disse.

Asher Lessels, representante do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), órgão implementador do CITinova, afirmou que não se pode subestimar a importância de gerir de forma sustentável as bacias e fontes de água potável. “As cidades têm grande necessidade de água potável e, paradoxalmente, são também grandes fontes de contaminação”, afirmou. Dessa forma, explicou, o PNUMA está comprometido a ajudar os países a cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6, que trata sobre água potável e saneamento. “Temos muito por fazer e, nesse contexto, o CITinova é um passo importante para as cidades brasileiras.”

Resultados – O secretário executivo da Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri), Luciano Mendes, explicou que a pasta executa muitas ações voltadas à segurança hídrica no DF. “O Distrito Federal passou um susto nos anos de 2016 e 2017, um momento traumático com uma crise hídrica que trouxe muitos reflexos para a agricultura e para a sociedade urbana, mas que provocou novos comportamentos das instituições, produtores, organizações da sociedade civil, e a partir disso, muitos projetos foram colocados em prática, dos quais começamos a ver os resultados”, afirmou.

Segundo a presidente em exercício da Emater, Loiselene Trindade, a gestão dos recursos hídricos é um tema que a Emater considera fundamental no momento atual. “Trata-se do bem mais precioso, a água, de grande relevância e importância para todos nós. Na Emater atuamos em projetos de grande relevância junto aos produtores em várias bacias hidrográficas do DF”, disse.

Para Regina Silvério, diretora do CGEE, parceiro coexecutor do CITinova, quando se trabalha em parceria e colaboração os resultados são mais mais efetivos e, no somatório, é possível apresentar mais e melhores resultados. “A água tem um impacto direto na agricultura, mas reverbera fortemente em vários outros aspectos da vida dos cidadãos e as iniciativas apresentadas, realizadas pela Sema no Âmbito do CITinova, são focados na melhoria da qualidade de vida do cidadão”, destacou.

A coordenadora do CITinova no Governo do Distrito Federal, Nazaré Soares, explicou que, no território, são executados projetos em duas grandes frentes, uma voltada à geração de conhecimento para subsidiar o processo de elaboração de políticas públicas baseada em evidências e o outro componente, o de boas práticas e testes-pilotos. “É um conjunto de iniciativas que estão sendo implementadas, dentro de uma nova abordagem que precisamos dar ao tratar destes temas”, explicou.

Água Estruturada, SAFS mecanizadas e Reflorestamento: três exemplos de projetos-pilotos implemementados pela SEMA-GDF no âmbito do CITinova. Fotos: Gabriela Fonseca/ Comunicação CITinova/SEMA

Projetos Apresentados

Água Estruturada para irrigação da Bacia Hidrográfica do Descoberto

Estudo desenvolvido a partir de dois projetos-pilotos, sendo um em área aberta e outro em estufa. A água que será utilizada na irrigação dos cultivos passa por três magnetizadores, sendo dois importados e um desenvolvido por pesquisadores brasileiros.

A água submetida à indução magnética estática (IME) possibilita uma maior hidratação que altera o metabolismo celular, disponibilizando assim mais energia para o crescimento das plantas, reduzir o consumo de água e agrotóxicos. Os magnetizadores de alta vazão de água e com baixo custo, visam maior intensidade e eficiência magnética possibilitando aumento de produtividade em sistemas de irrigação convencionais.

O estudo analisa a intensidade de indução magnética que proporciona maior desenvolvimento vegetativo, produção de fitomassa e produtividade em culturas de milho, rabanete e alface. Os resultados esperados são maior qualidade da produção e redução de consumo de água para irrigação e serão conhecidos até o final do ano.

Sistemas Agroflorestais (SAFs) Mecanizados nas bacias do Paranoá e do Descoberto

A agrofloresta com mecanização testa a eficiência dos pontos de vista ambiental, social e econômico da inserção de maquinário na implantação desse modelo agrícola. O projeto já implantado em 20 hectares, envolvendo 37 famílias. O foco é garantir que esses sistemas agrícolas mais amigáveis do ponto de vista ambiental, contribuam para a continuidade de produção de água em qualidade e quantidade nas duas bacias hidrográficas que abastecem a maior parte da população de Brasília. Assim, a substituição de uma agricultura tradicional pelos SAFs com mecanização poderá ser mais atrativa para o produtor rural dessas localidades, melhorando a produção de água para os dois lagos de abastecimento público: Lago do Descoberto e Lago Paranoá.

Foram plantadas por propriedade, em média 400 mudas, de diferentes espécies nativas. Para a implementação dos plantios foram utilizados implementos adquiridos pelo Projeto, específicos para Sistemas Agroflorestais, que estão sendo testados pelo projeto e são inéditos para essa atividade.

Áreas de Proteção Permanente (APPs) de nascentes, cursos hídricos e em áreas de recarga das bacias hidrográficas do Descoberto e do Paranoá

O projeto de recomposição de vegetação nativa em 80 hectares de áreas de preservação permanente (APPs) de nascentes, áreas de recarga hídrica e demais APPs degradadas ou alteradas nas Bacias do Rio Descoberto e Rio Paranoá atua prioritariamente nas Unidades Hidrográficas (UHs) do Alto Descoberto, Ribeirão das Pedras e Ribeirão Rodeador, e nas Unidades Hidrográficas do Riacho Fundo e Lago Paranoá, respectivamente. Essas UHs são estratégicas para a recuperação ambiental pois concentram nascentes e cursos hídricos que contribuem diretamente no abastecimento público do Distrito Federal.

Entre as ações, está prioritariamente o apoio ao pequeno produtor rural, com insumos e assistência técnica, permitindo o uso sustentável nas propriedades rurais, a regularização ambiental e a recomposição e proteção das APPs degradadas ou alteradas.

Durante todo o projeto as áreas alvo para a recomposição recebem diferentes técnicas de recomposição, a fim de analisar os diferentes processos naturais de sucessão de vegetação vegetal, o aumento da biodiversidade e a melhoria de habitats. Ao final, serão realizadas capacitações e elaborado material didático para distribuição, com a sistematização das melhores técnicas empregadas, permitindo a replicabilidade de projetos dessa natureza.

Assessoria de Comunicação da Secretaria do Meio Ambiente


PCS lança Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades

O Programa Cidades Sustentáveis, parceiro coexecutor do projeto CITinova, lançou, em 23/03, o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR), uma nova ferramenta desenvolvida pelo PCS junto com o Sustainable Development Solutions Network, da ONU, para mapear, monitorar e avaliar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em 770 cidades brasileiras.

O evento virtual de lançamento contou com a participação de Jorge Abrahão (coordenador geral do PCS), Jeffrey Sachs (presidente da SDSN), Ignácio Ibanez (embaixador da União Europeia no Brasil), Stefano Malta (analista de política da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE e Coordenador do Programa Abordagem Territorial para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), Diego Aulestia (Chefe da Unidade de Assentamentos Humanos da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe – CEPAL/ONU) e Sávio Raeder (diretor do Projeto CITinova e do Departamento de Ciências da Natureza, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações – MCTI). Grayson Fuller, analista da SDSN, e Clarice Meyer Cabral, coordenadora de Indicadores do Programa Cidades Sustentáveis, apresentaram a metodologia e o site do índice.

O índice é resultado de um extenso trabalho de seleção, coleta e sistematização de dados de 770 municípios brasileiros, incluindo as capitais dos 26 estados da Federação, além de cidades de todas as regiões metropolitanas e biomas do país. Ao todo, foram utilizados 88 indicadores de gestão relacionados aos diversos temas abordados pelos 17 ODS. O levantamento dos dados foi realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), e a iniciativa também conta com o apoio do projeto CITinova.

Jeffrey Sachs abriu o encontro falando sobre a importância das cidades para o desenvolvimento sustentável e a elaboração de políticas públicas municipais que atendam as metas previstas nos ODS. Ele destacou o caso das cidades de Nova York e Pittsburgh, onde os objetivos são usados no processo de planejamento local e vêm ajudando os governos a promover transformações importantes em diversas áreas, como saúde, emprego, energia limpa e tecnologia, entre outras.

Sachs falou também sobre a importância de um índice nesse processo. “Sou muito otimista com o lançamento de um índice municipal relacionado aos ODS em um país como o Brasil. Agora a chave é colocá-lo em uso e aproveitar esses dados e indicadores para dar um passo adiante, para elaborar planos para atingir as metas da Agenda 2030”, comentou. “Espero que em breve possa haver uma nova relação entre os governos federal, estaduais e municipais, e também que seja possível aprofundar esse trabalho nas municipalidades da região amazônica, que é tão importante para o desenvolvimento sustentável”, complementou o presidente da SDSN.

O papel das cidades no enfrentamento dos vários desafios globais também foi destacado por Jorge Abrahão. “As cidades são agentes importantíssimos de transformação. É no nível local que se manifestam os problemas, mas também as soluções. Na pandemia, pudemos observar que as marcas mais profundas estão ficando efetivamente nas cidades”, disse Abrahão.

O coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis ressaltou ainda a necessidade de se envolver diferentes atores na busca de soluções. “Os desafios são grandes demais para serem enfrentados apenas por alguns segmentos. É importante envolver governos, iniciativa privada e sociedade civil para que se possa definir investimentos, programas e políticas públicas para avançar nos ODS em que as cidades estão mais frágeis”, destacou. “Essa é a ideia do índice: estimular a Agenda 2030. Estimular o protagonismo das cidades para que elas possam assumir diferentes agendas, a agenda dos direitos humanos, do enfretamento das desigualdades e das mudanças climáticas. E, pela primeira vez, teremos uma fotografia das cidades e seus avanços nos ODS, suas virtudes e fragilidades.”

O embaixador da União Europeia no Brasil, Ignácio Ibanez, destacou que, seis anos após a aprovação da Agenda 2030, todos os países estão longe de alcançar as metas estabelecidas pela ONU em 2015. “No Brasil, não é diferente. Temos que juntar esforços para superar os desafios sociais, econômicos e ambientais que se agravaram com a pandemia”, disse Ibanez. Ele também reforçou a necessidade de envolvimento de diferentes atores na busca de soluções, especialmente dos governos locais e da sociedade civil. “Eles estão na linha de frente dos problemas relativos à gestão das cidades, como evidenciaram as deficiências do desenvolvimento urbano no Brasil, aumentando o agravamento das desigualdades existentes, dos problemas sociais e da prestação de serviços básicos.”

Para Diego Aulestia, da Cepal, o índice constitui um parâmetro de referência para o Brasil e a América Latina. “Um índice com essas características provê também evidências não só para as autoridades e formuladores de políticas públicas, mas a todos os cidadãos e atores interessados no desenvolvimento de sua localidade.”

Encerrando o evento de lançamento do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil e representando o projeto CITinova, Sávio Raeder, diretor do Departamento de Ciências da Natureza, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), enfatizou a importância da parceria entre o Programa Cidade Sustentáveis (PCS) e esse projeto multilateral que conta com recursos do Fundo Global par o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês). “Em todas as iniciativas do CITinova, há uma forte preocupação com a contribuição de evidências científicas para o alcance das metas dos ODS”, afirmou Raeder. “E o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades, lançados hoje pelo PCS, é um exemplo da contribuição do melhor conhecimento científico para o apoio ao planejamento e à gestão municipal com foco na Agenda 2030.”

Informações da Assessoria de Comunicação do PCS


Veja como foi o encontro virtual de lançamento do Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil. O evento foi aberto ao público e contou com mais de 700 participantes. Leia também a matéria completa na plataforma do PCS e acesse o site IDSC.


No Dia Mundial da Água, estudo aponta caminhos para proteger os mananciais do DF

No Dia Mundial da Água, 22 de março, foi divulgado um importante estudo sobre o índice de sustentabilidade nas bacias do Descoberto e Paranoá e na microbacia do Rodeador, do Distrito Federal, realizado pela Secretaria do Meio Ambiente (SEMA-DF), no âmbito do projeto CITinova. Para lançar o estudo, a SEMA organizou um webinário no qual foi discutido com mais de cem participantes o tema Risco e Sustentabilidade Hídrica no Distrito Federal: Uma visão do presente e do futuro.

Participaram da mesa de abertura do evento, o secretário de Meio Ambiente do DF, José Sarney Filho, o secretário de Pesquisa e Formação Cientifica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcelo Marcos Morales, o oficial de Programa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Asher Lessels, a diretora do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Regina Silvério, o diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do DF (ADASA), Raimundo da Silva Ribeiro Neto e o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica dos Afluentes do Rio Paranaíba no Distrito Federal (CBH Paranaíba-DF), Ricardo Tezini Minoti.

Sarney Filho destacou o Dia Mundial da Água como um alerta para as consequências do aquecimento global, que estão afetando o bioma Cerrado e todo o mundo. “As mudanças climáticas já estão aí e nós temos que nos adaptar. Por isso a importância de um evento como este de hoje, em que apresentamos um levantamento sobre a situação da água em determinadas bacias, que faz com que possamos prever e tomar providências cabíveis para que crises não ocorram e, se ocorrerem, possam ter seus efeitos diminuídos”, disse.

Marcelo Morales, do MCTI, também enfatizou a importância da data “para o planeta, para todos os seres vivos, e para o bioma Cerrado, conhecido como o berço das águas por abrigar as nascentes de oito das doze importantes bacias hidrográficas do País”. Segunde ele, ao apoiar iniciativas como este estudo realizado pela SEMA-DGF, o MCTI, por meio do projeto CITinova, “espera contribuir na recuperação dos solos em áreas de nascentes e na construção de políticas públicas que garantam a segurança hídrica do Distrito Federal”. Morales também falou da relevância da temática da segurança hídrica para o CITinova ao “unir governo e sociedade em favor da construção de uma sociedade comprometida com os limites planetários, tendo o acesso a água como um direto humano”.

Asher Lessels, do PNUMA, ressaltou o potencial de replicabilidade do estudo. “As soluções que o projeto CITinova está implementando para melhorar as gestões das bacias do DF não são só para ajudar Brasília, mas para gerar boas práticas a serem escaladas em outras cidades brasileiras, latino-americanas e do mundo”, afirmou.

Em seguida, o estudo foi apresentado pelo professor da Faculdade de Tecnologia, da Universidade de Brasília (UnB), Henrique Marinho Leite Chaves, responsável por sua realização. O conteúdo inovador tem como objetivo apontar gargalos que precisam ser sanados para a construção de políticas públicas que garantam a segurança hídrica do DF, aumentando também sua sustentabilidade no futuro. Assim, o estudo aponta cenários para curto, médio e longo prazos, a partir da análise da aplicação do índice de sustentabilidade hídrica nas bacias do Descoberto, do Paranoá e do índice de risco hídrico na sub-bacia do Rodeador, alvo de um estudo-piloto por ainda não ser regulada por reservatório.

O estudo também indica ferramentas para a melhoria da segurança hídrica do Distrito Federal a partir de uma análise integrada que propõe a associação de ciência e gestão, para dirimir problemas apontados a curto prazo e evitar que cenários previstos para o futuro se concretizem. “Estamos na média, o que é um lugar perigoso porque dá um certo conforto, mas a parte de baixo dela também é possível”, alerta o professor.

A ação foi realizada no âmbito do CITinova, projeto multilateral que conta com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente ( Global Environment Facility – GEF) e cuja execução é de responsabilidade do MCTI. Implementado pelo PNUMA, a execução no Distrito Federal é realizada pela Sema-DF e CGEE.

Estudo – “O cálculo desses índices, que podem ser feitos como tarefa de ciências, empoderam a sociedade civil, que poderia calcular os índices das bacias onde moram. A grande inovação do projeto CITinova é que, além de dar respostas para a gestão de bacias hidrográficas em situações de pressões futuras e atuais, é educacional. Se juntarmos essa preparação com educação, estamos caminhando bem”, diz o professor Henrique Marinho Leite Chaves. .

Os resultados do estudo apontam que o risco hídrico atual da bacia do Rodeador foi médio e alto, no futuro. A sustentabilidade hídrica atual das bacias do Paranoá, Descoberto e Rodeador foi média e baixa no futuro (no caso do Rodeador), devido à tendência de forte redução de oferta e aumento da demanda. Já a sustentabilidade atual das bacias do Paranoá e Descoberto foi média, com gargalos relativos à oferta hídrica e às respostas.

Entre as recomendações, o professor elenca a necessidade de medidas de adaptação como instrumentos regulatórios, econômicos, educativos e de governança; de prevenção, como o aumento da eficiência do uso da água; preparação, com a gestão da oferta e da demanda de água; de resposta, com o alívio dos efeitos diretos de eventos extremos. Além da gestão adaptativa para curto, médio e longo prazos e; avaliação do risco hídrico e sustentabilidade atual e futura de bacias que também abastecem o DF, como Paranaíba, Preto e Maranhão.

A coordenada do Citinova no GDF, Nazaré Soares, disse que o trabalho que a Sema realiza no âmbito do projeto no DF é muito importante. “Esse é um estudo inovador sob vários aspectos e demandou um esforço muito grande na sua concepção”, afirmou.

Informações da Assessoria de Comunicação da SEMA-DF


Foto de aberturaFoto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

PCS lança ÍNDICE para estimular e monitorar os ODS em mais de 700 cidades brasileiras

O Instituto Cidades Sustentáveis, no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis (PCS), parceiro coexecutor do CITinova, lança no dia 23 de março o Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR), ferramenta que vai permitir mapear, monitorar e avaliar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em mais de 700 cidades brasileiras.

Elaborado com base em mais de 80 indicadores, o Índice atribui, para cada município, uma pontuação específica por Objetivo e outra, mais abrangente, para o conjunto dos 17 ODS. Com isso, o Instituto Cidades Sustentáveis espera contribuir para um movimento de transformação efetiva nas cidades brasileiras, orientando a ação municipal a partir de referências e metas com base em indicadores de gestão.

Em tempos de crise, a orientação estratégica é ainda mais fundamental para o desenvolvimento sustentável das cidades, baseado em dados, ações integradas e inovação. Especialmente no âmbito da pandemia, a plataforma online poderá ajudar as cidades na avaliação de prioridades, fortalecer o engajamento da sociedade e pautar a agenda política local na direção da municipalização dos ODS.

Plataforma no ar
O lançamento do Índice acontece no dia 23 de março, terça-feira, das 10h às 11h30, em evento virtual, com a participação de Jorge Abrahão, coordenador geral do ICS, e Jeffrey Sachs, Presidente do Sustainable Development Solutions Network (SDSN), parceira da iniciativa.

Inicialmente, a plataforma apresentará uma avaliação de 770 municípios, a partir de dados disponíveis nas bases nacionais. Com o comparativo em mãos, essas cidades também poderão gerar o Relatório Voluntário Local (RVL), instrumento de prestação de contas sobre o progresso da implementação dos ODS em nível nacional e subnacional.

A seleção das cidades levou em consideração diferentes critérios, de modo que pudesse contemplar capitais brasileiras, municípios com mais de 200 mil eleitores, signatários do Programa Cidades Sustentáveis e, ainda, todos os biomas do país.

O IDSC-BR também contou com o apoio do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e do Projeto CITinova.

Por Ana Cândida Pena, do Programa Cidades Sustentáveis


Recife desenvolve tecnologia inovadora para tratamento da água poluída

A resiliência é uma das capacidades humanas de se adaptar a mudanças e retomar o equilíbrio. Para o meio ambiente não é diferente. Segundo Simone Souza, doutora em Tecnologia Ambiental e conselheira do Conselho Estadual do Meio Ambiente, “a resiliência ambiental é um conceito que diz respeito à capacidade de um sistema de recuperar o seu equilíbrio após ter sofrido uma perturbação”.

Isso significa, por exemplo, que, mesmo recebendo esgoto, o rio é capaz de se auto depurar e tratar. Contudo, normalmente o impacto negativo causado na natureza gera um dano muito maior do que a faculdade de regeneração do meio ambiente.

Resiliência ambiental é um dos 17 caminhos estratégicos do Plano Recife 500 anos que se relaciona diretamente com o CITinova a partir da execução de projetos-piloto utilizando soluções baseadas na natureza (SbN), entre eles os Jardins Filtrantes que serão instalados na foz do Riacho do Cavouco, localizada no Parque do Caiara, no bairro da Iputinga, Zona Oeste da capital pernambucana.

Projetados para ocupar aproximadamente 7 mil m², os Jardins serão responsáveis pelo tratamento de cerca de 10% da vazão da água poluída que desaguará no Rio Capibaribe. Para Luana Alves, arquiteta e urbanista do CITinova pela ARIES, apesar do pequeno volume a ser tratado, os Jardins representam um grande auxílio à resiliência ambiental do Rio Capibaribe, ampliando a oxigenação da água. “Além de impactar na vida do Parque, virando um atrativo para novos visitantes e dando visibilidade ao Caiara.”  

A iniciativa executada pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), parceira coexecutora do CITinova, está em fase de finalização do projeto executivo para, em breve, entrar na etapa de execução da obra. Quando implementada, irá servir também como modelo que influencie políticas públicas a replicá-los em todo o Brasil.

Projeções do projeto-piloto dos Jardins Filtrantes que estão sendo desenvolvido no Recife pela ARIES/CITinova

Etapas do projeto-piloto                                     

Lilian Hengleng, diretora geral da Phytorestore, empresa contratado pela ARIES para executar o projeto, explica que o desenvolvimento dos Jardins Filtrantes se deu a partir das seguintes etapas:

  • estudo hidrológico, referente aos dados sobre qualidade da água;
  • estudo geológico, sobre qualidade do solo;
  • estudo do entorno, destinado a do Parque do Caiara e conexão arquitetônica com as diretrizes e premissas do Projeto Parque Capibaribe;
  • etapa de paisagismo ecossistêmico, referente às plantas nativas que serão plantadas no local;
  • estudo socioeconômico;
  • estudos e definições de soluções e tecnologias partindo de todos os levantamentos realizados. 

Além disso, existe a possibilidade do município utilizar a área como palco para circuitos pedagógicos de educação ambiental com temas como a importância dos rios, a história do Capibaribe, o processo de recuperação do canal do Cavouco e tratamento das águas.

Tecnologia fitorremediadora

Financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, o CITinova é executado na capital pernambucana pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), organização responsável pelo desenvolvimento de projetos-piloto como os Jardins Filtrantes, uma tecnologia francesa patenteada pelo paisagista Thierry Jacquet que controla a poluição a partir de plantas fitorremediadoras.

A técnica foi a solução sustentável aplicada no Rio Sena e possibilitou a recuperação do efluente após grandes chuvas, por exemplo. “O objetivo do jardim é melhorar a qualidade da água antes dela chegar no rio então ele vai funcionar como se fosse um fígado para o riacho do Cavouco antes da agua contaminada chegar no Capibaribe”, informa Lilian Hengleng.

Cada jardim filtrante é uma criação paisagística única projetada como um parque ou jardim público a fim de promover a biodiversidade. Compatível com a dinâmica da cidade e com um design participativo, eles podem construir um meio natural pedagógico impactando na conscientização da população e na sua relação com o rio.

Por Giselle Cahú, da equipe de comunicação ARIES/CITinova


Foto de abertura  Projeção do projeto-piloto Jardins Filtrantes, que estão sendo desenvolvido no Recife pela ARIES/CITinova