CGEE lança revista sobre SbN em webinário aberto

No evento, na próxima quinta-feira (3/12), será lançada a edição especial da Revista Parcerias Estratégicas do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), que traz dois artigos sobre ações desenvolvidas pelo projeto CITinova com aplicação e divulgação de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) para responder a desafios urgentes como segurança hídrica e recuperação de áreas degradadas.

A Revista Parcerias Estratégicas, produzida semestralmente pelo CGEE, apresenta nessa edição onze artigos sobre SbNs, produzidos no Brasil e em países europeus, evidenciando os benefícios das SbN como alternativas aos desafios enfrentados globalmente e que são relacionados aos efeitos das mudanças climáticas. Além disso, a publicação traz uma entrevista exclusiva com o embaixador da Comissão Europeia no Brasil, Ignacio Ybánez. 

Durante o webinário, serão apresentados dois artigos da revista: “Iniciativas pilotos para sustentabilidade em Brasília: recuperação de nascentes, áreas de recarga e demais áreas de preservação permanente, degradadas ou alteradas”; e “Aprendiendo de la roca natural: pavimentos urbanos sostenibles”. 

Já os resumos executivos, que também serão lançados durante o webinário, foram produzidos pela equipe do Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (Oics),do CGEE/CITinova. São cinco documentos apresentando contribuições de especialistas sobre “Mecanismos de suporte às energias renováveis no Brasil”; “Soluções em mobilidade”; “Soluções para o ambiente construído”; “Soluções baseadas na natureza”; Sistemas descentralizados de saneamento; e “Tipologias territoriais para cidades sustentáveis”. 

Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (Oics)

O Oics, desenvolvido pelo Centro no âmbito do projeto CITinova, consiste em uma plataforma virtual que visa mapear e divulgar soluções urbanas inovadoras, contextualizadas ao território nacional. As propostas mapeadas são classificadas nas áreas de água, resíduos sólidos, mobilidade, soluções baseadas na natureza, energia e ambiente construído. A iniciativa  surge como um espaço para a aceleração da sustentabilidade urbana, oferecendo conteúdos para subsidiar a tomada de decisões estratégicas para o desenvolvimento sustentável das cidades. Para conhecer o observatório, acesse este link. 

Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), o CITinova é um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e executado em parceria com a Agência Recife para Inovação e Estratégia (Aries) e Porto Digital, o CGEE, o Programa Cidades Sustentáveis (PCS) e a Secretaria do Meio Ambiente (Sema/DF). Informações sobre o CITinova podem ser acessadas neste link.

Informações da Assessoria de Comunicação do CGEE

Serviço 

Webinar de lançamento das publicações sobre Cidades Sustentáveis   

Data: Quinta-feira, 03/12/2020. 

Horário: 10h

Faça a sua inscrição: https://forms.gle/K9FTMvpE4HdwaHoF9 

ARIES realiza evento “Janelas para o Capibaribe: Navegação Exploratória”

Com nome originado da língua Tupí, o Capibaribe é um dos rios mais importantes do estado de Pernambuco, no nordeste do Brasil. Nascido na Serra do Jacarará, município do Poção, no agreste do estado, as “Águas das Capivaras”, como sugere o nome em Tupí, cortam, em seus 240 quilômetros de extensão, a Zona da Mata e a Região Metropolitana do Recife até desaguar no Oceano Atlântico.

Em homenagem ao Dia do Rio Capibaribe, comemorado hoje na cidade do Recife, o projeto CITinova, executado na capital pernambucana pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), em parceria com o Porto Digital, realizou no último sábado (21/11) o evento Janelas para o Capibaribe: Navegação Exploratória.

Com o objetivo geral de desenvolver e incentivar soluções tecnológicas inovadoras, bem como planejamento urbano integrado para apoio da administração pública na promoção de cidades sustentáveis, o CITinova, um projeto multilateral financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e parceiros coexecutores, encontrou no Rio Capibaribe o local perfeito para a realização de três projetos-piloto: a urbanização de dois trechos à margem do Rio, jardins filtrantes e barco solar.

Navegação Exploratória no Rio Capibaribe. Fotos: Giselle Cahú

A navegação exploratória é uma etapa do Diagnóstico Participativo que está ocorrendo durante todo o mês de novembro nas margens do Capibaribe determinadas como locais de intervenção do projeto: a comunidade do Caiara, localizado no bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife; e a comunidade Vila Vintém, no bairro do Parnamirim, Zona Norte da cidade. O diagnóstico objetiva compreender, através do processo de participação, que elementos devem existir na urbanização das margens para contemplar toda a comunidade.

O passeio de Catamarã promoveu o encontro entre os representantes comunitários das margens que serão beneficiadas pelo projeto CITinova, permitindo que experienciassem o percurso do barco, além de apresentar bons exemplos de urbanização para otimizar o processo de participação no diagnóstico. Colaboradores da Aries que estão atuando nos projetos-pilotos também participaram do evento. Os resultados dessa ação são visíveis: olhos atentos ao Rio, sentimento de alegria e, principalmente, a beleza de abrir novas janelas e ver o Recife sob suas águas.

Fotos: Giselle Cahú e Luana Alves

Trajeto afetivo

A Navegação Exploratória seguiu um roteiro diferente dos passeios tradicionais. Saindo do Marco Zero do Recife, o Catamarã percorreu o Rio Capibaribe até o Jardim do Baobá, uma margem urbanizada pelo Projeto Parque Capibaribe, que oferece as diretrizes para a urbanização que será realizada pelo CITinova. No baobá, os moradores foram convidados a fotografar o que desejam para suas respectivas comunidades.

Compartilhamento de relatos e apresentação do Projeto Parque Capibaribe, no Jardim do Baobá. Foto: Giselle Cahú

Do Baobá, o passeio seguiu até a margem da Vila Vintém, no bairro do Parnamirim, local onde futuramente será localizada uma estação do Barco Solar. Foi nesse momento, olhando para sua comunidade, que a moradora Fabiane de Lima, agente de combate de endemias compartilhou sua vivência na Vila Vintém: “Minha mãe veio para cá quando eu tinha três meses de idade, minha infância foi aqui. Esse lugar é lindo, é como se fossemos uma grande família, com muitas diferenças, mas muita união”.

Ela contou que morava em casa de tábua e hoje seus filhos têm casa de alvenaria. “Eu moro ali, numa casinha em uma das principais avenidas do bairro de Casa Forte”, apontou. “Tem uma praça em frente à minha casa e estou ao lado do shopping. Sou feliz por morar aqui e por esse privilégio de ter uma área verde, de já ter convivido com o pessoal das palafitas, com famílias que hoje moram no Caiara. Eu acordo todas as manhãs com o Rio Capibaribe em frente à minha janela, não quero sair daqui por nada.”

A última parada foi às margens do Parque do Caiara, localizado no Bairro da Iputinga. Luana Alves, arquiteta e urbanista do Projeto CITinova pela ARIES, aproveitou o momento para falar um pouco mais sobre um dos projetos-piloto, o Jardim Filtrante: “Uma tecnologia baseada na natureza que oferece uma forma de tratar a água através de plantas, da fitorremediação”. Luana explicou que agora está sendo definido, junto à comunidade, o melhor uso a ser dado à água tratada, como uma horta comunitária ou uma fonte de água para as crianças. “Por isso é tão importante estarmos juntos aqui para ouvir as necessidades da comunidade”, afirmou.

Finalizando as participações, Dona Nevinha, representante comunitária da Iputinga, compartilhou com todos o seu depoimento sobre a vida e a história do Caiara: “A luta para emancipação e valorização dessa comunidade começou em 1982. O Parque do Caiara era um grande areal, mas era o espaço de convivência da criançada, dos pescadores, do pessoal de barco”. Ela lembrou que sempre existiu a cultura da travessia do Rio, com os moradores da Iputinga atravessando de barco para a Festa do Morro da Conceição, que ocorre anualmente no bairro de Casa Amarela, Zona Norte do Recife.

“A Iputinga hoje tem mais de 60 mil habitantes, muitos conjuntos habitacionais foram construídos e absorvendo comunidades, como as palafitas do Pina. Mais de 400 famílias das palafitas vieram para cá. A luta pela moradia na nossa comunidade é muito forte, o déficit habitacional da Iputinga ainda é grande. Hoje, depois de 20 anos de luta, nós temos o Parque do Caiara, que receberá o toque final pelo projeto da ARIES. No mais, a Iputinga é essa beleza, é o bairro dos artistas, muito amado por todos”, relatou Dona Nevinha.

  O Capibaribe, que hoje separa territórios de alto e baixo poder aquisitivo, passará a ter um elo entre os bairros do Recife, conectando os recifenses e quebrando barreiras da distância. A ARIES, junto com o Porto Digital, está à frente dessas ações do CITinova, projeto inovador que oferece subsídios para a melhoria não apenas do transporte e da qualidade de vida das comunidades recifenses, mas também para o Rio Capibaribe. No decorrer da Navegação Exploratória, foram criados laços entre os moradores e o Rio, uma importante relação de afeto e respeito com a natureza, assim como o orgulho de ter futuramente um local de convivência às margens do belo Capibaribe.

Por Giselle Cahú, da equipe de comunicação ARIES/CITinova


Foto de abertura Foto: Luana Alves

Ciclo de Diálogos CITinova terá Webinário em Recife

“Políticas públicas para o desenvolvimento urbano sustentável” é o tema do Ciclo de Diálogos CITinova, realizado ela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES), parceira coexecutora do projeto. O evento, aberto ao público e gratuito, acontece nesta quinta-feira (19), a partir das 14h30, com transmissão pelo youtube no link http://bit.ly/CiclodeDialogos_ARIES.

O webinário contará com a participação de Marcos Baptista, presidente da ARIES; Carlos Leite, coordenador do Núcleo de Urbanismo Social do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper; Suiá Rocha, coordenadora nacional do Projeto CITinova; Jorge Abraão, diretor presidente do Instituto Cidades Sustentáveis; e Maria Sílvia Rossi, integrante da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Distrito Federal (SEMA-DF).

Os convidados irão trazer reflexões atuais sobre o que pode e o que está sendo desenvolvido pela esfera das políticas públicas em prol do desenvolvimento urbano sustentável das cidades.

Partindo das experiências de participação popular para elaboração do Plano Recife 500 Anos, bem como de todo o processo de participação que o Projeto CITinova realiza na capital pernambucana, o webinário trará reflexões sobre as possibilidades de construção de políticas públicas para o desenvolvimento urbano sustentável a partir de espaços de colaboração.

Temas nacionais e o contexto atual de pandemia também serão abordados no evento, como de que forma o desenvolvimento urbano pode ser visto como ferramenta estratégica de promoção de saúde urbana e de desenvolvimento sustentável.

Financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o projeto CITinova é coexecutado pela ARIES e Porto Digital, SEMA-GDF, CGEE e PCS.

Informações de Giselle Cahú, Comunicação ARIES/CITinova

Participe do webinário e conheça mais sobre o CITinova em 19/11, às 14h30, pelo link http://bit.ly/CiclodeDialogos_ARIES

Projeto-piloto sobre o uso de água magnetizada na agricultura tem bons resultados

A ação do projeto CTinova envolvendo o uso de água magnetizada na agricultura está sendo implementada na Chácara Colina, em Brazlândia, no Distrito Federal, pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema-GDF), parceira coexecutora do projeto. A região integra a Bacia do Descoberto e o local foi escolhido por contar com uma vegetação nativa preservada que envolve as áreas de produção e uma  nascente, afluente do Córrego Barrocão, situada a 16 metros de altura.

Na chácara, que é certificada para produção orgânica,  está sendo colhido o alface irrigado com água magnetizada. O proprietário, Luiz Carlos Pinagé de Lima, e sua equipe estão entusiasmados: “Já é possível perceber que a técnica poderá gerar economia de água”. Diante da crise hídrica mundial, e que ficou evidente no DF em 2018, Pinajé afirma que a aposta em inovação desperta muito interesse e satisfação aos produtores. “Há indícios de que a água magnetizada também possa melhorar as propriedades dos cultivares”, afirma.

Para o professor João José da Silva Júnior, da Faculdade de Agronomia da Universidade de Brasília (UnB), que apoia a ação junto ao Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (Cirat), a bibliografia sobre outras pesquisas no assunto indica a possibilidade de redução do uso da água. “Aqui, em Brasília, ainda estamos no início do trabalho, utilizando o plantio de milho, rabanetes e alface. Mesmo assim, já  é possível observar um quadro promissor do uso de água magnetizado no alface. Os resultados finais serão apresentados até o final do próximo ano”, informou. O teste será aplicado também na estufa da Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília, em sistema controlado.

O secretário do Meio Ambiente do DF, Sarney Filho, em visita a Chácara Colina, ressaltou que a experiência deve se tornar mais uma em que o DF se firma como referência para o país. “A ação é inédita no Brasil e os primeiros resultados são promissores, reforçando que a preservação do bioma Cerrado pode ser alcançada por meio da inovação”, disse. O secretário alertou que a  diminuição da quantidade de água usada na irrigação é importante para reforçar a segurança hídrica no Distrito Federal.

A iniciativa integra o CITinova, projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) para a promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras por meio de tecnologias inovadoras e planejamento urbano integrado, com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente. É executado pela Sema, em Brasília, com gestão do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). 

Equipe CITinova/SEMA visitou projeto piloto que envolve o uso de água magnetizada na agricultura. Foto: Arquivos SEMA.

No âmbito do Projeto Sema/CITinova, estão sendo testados três magnetizadores, dois importados e um desenvolvido por pesquisadores brasileiros em dois locais: em área aberta,  na Chácara Colina, e outro em estufa, na fazenda da UnB.

Está em andamento, também, a análise da intensidade de indução magnética que proporciona maior desenvolvimento vegetativo, produção de fitomassa e produtividade em culturas de milho, rabanete e alface.

De acordo com os pesquisadores, a água submetida à indução magnética estática (IME) possibilita uma maior hidratação que altera o metabolismo celular, disponibilizando assim mais energia para o crescimento das plantas, reduzindo o consumo de água e agrotóxicos. Os magnetizadores de alta vazão de água e com baixo custo, visam maior intensidade e eficiência magnética possibilitando aumento de produtividade em sistemas de irrigação convencionais.

Segundo estudos, a água tratada magneticamente interfere na fisiologia de plantas e  favorece a interação solo-água, deixando o solo úmido por mais tempo. O seu uso pode reduzir os intervalos de irrigação, aumentar a velocidade e o percentual de germinação das sementes,  além de melhorar a produção e a produtividade das culturas agrícolas.

Com informações da Assessoria de Comunicação da SEMA-GDF


Foto de abertura Plantação irrigada com água magnetizada. Foto: Renata Leite (SEMA/CITinova).

Planejamento urbano integrado pode ajudar na redução das desigualdades

O Programa Cidades Sustentáveis (PCS), em parceria com o Projeto CITinova, acaba de lançar um novo módulo dedicado ao tema em sua plataforma web e um Guia de Introdução ao Planejamento Urbano Integrado e um novo módulo dedicado ao tema em sua plataforma web.  

O lançamento dos novos conteúdos e ferramentas da plataforma do PCS, que visam apoiar a gestão e o planejamento urbano dos próximos prefeitos, foi realizado em um evento online, em 30 de novembro, com a participação de arquitetos e urbanistas. 

Zuleica Goulart, coordenadora do PCS, fez uma rápida explanação sobre o Módulo de Planejamento Urbano Integrado, e destacou as ferramentas e informações para implantação de um sistema de planejamento urbano integrado em nível municipal, conteúdos técnicos e teóricos sobre o tema e Sistemas de Informação Geográfica (SIG).  Ela destacou ainda dois guias que estão em desenvolvimento e serão disponibilizados na plataforma em breve: o Guia de Colaboração do Setor Privado para o Planejamento Urbano Integrado e o Guia de Capacitação para o Planejamento Urbano Integrado. 

No evento on line, a coordenadora nacional do projeto CITinova, Suiá Rocha, comemorou o lançamento do guia e do módulo. “Essa é uma grande entrega do CITinova, que visa promover a sustentabilidade das cidades brasileiras por meio de dois grandes pilares: um é o investimento em planejamento urbano integrado e o outro é o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis.” 

Cid Blanco, arquiteto e urbanista da CBJ Planejamento e Moderação, fez a apresentação do Guia de Introdução ao Planejamento Urbano Integrado, enfatizando que a publicação é didática e pensada para todo e qualquer tamanho de município. “Esperamos com isso ajudar os municípios a melhor elaborar os seus planos e conseguir reduzir as desigualdades socioespaciais existentes”, complementou.  

Convidada a falar sobre a importância do planejamento urbano integrado para os municípios no contexto da covid-19, Paula Santoro, arquiteta urbanista e coordenadora do LabCidade (FAUUSP), avaliou que a pandemia acirrou a desigualdade e a exclusão nas cidades brasileiras, exigindo uma leitura territorial integrada em várias escalas. “A escala local, por exemplo, permitiria que a gente tivesse estratégias [territoriais], como o reforço da ação dos agentes de saúde e regras especiais para evitar contágio”, ponderou. Segundo ela, para enfrentar a Covid, é preciso pensar uma política de mobilidade e melhorar o saneamento, entre outros pontos. “Ou seja, as políticas têm que ser muito mais integradas”, argumentou.

Danielle Klintowitz, também urbanista e coordenadora geral do Instituto Pólis, argumentou que 2021 será uma grande oportunidade para que as gestões municipais avancem na implantação do planejamento integrado. “Vai ser o ano de elaboração dos planos plurianuais dos municípios, que devem ser integrados. Normalmente, em nossa cultura brasileira, eles são fragmentos das várias políticas”. Para ela, a grande dificuldade para o planejamento urbano integrado é a questão dos dados, que “estão mais disponíveis no nível nacional, não no nível local, e muitas vezes estão isolados e não conversam entre si”. Em sua opinião, não é por acaso que as cidades consideradas inteligentes e sustentáveis têm em comum o fato de serem muito bem planejadas. “Durante a pandemia, a gestão remota e estratégica dos dados se tornou mais evidente e importante”, considerou.

Suiá Rocha citou a Coréia do Sul como exemplo de eficiência na utilização de dados no combate à pandemia da covid-19. “Eles tiveram um sistema de rastreamento de contatos muito bom, capaz de rastrear mil pacientes potencialmente infectados em uma hora”, relatou. 

Ao comentar a importância da participação dos diversos atores que atuam nas cidades no processo de construção do planejamento urbano integrado, Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, afirmou que a “grande chaga” do Brasil é a desigualdade. “Nenhum coletivo, cidade ou país dá certo com esse grau de desigualdade que nós temos”, considerou.  Isso acontece, segundo ele, porque o poder público, muitas vezes, é refém de quem tem poder político e econômico. “A participação da sociedade, de outros atores, é fundamental para equilibrar esse jogo”, defendeu Grajew, que também integra o Conselho do Instituto Cidades Sustentáveis – organização realizadora do Programa Cidades Sustentáveis e da Rede Nossa São Paulo. Em sua avaliação, a participação social possibilita que as escolhas das prioridades e das regiões onde os recursos serão investidos sejam mais democráticas. 

Jorge Abrahão, coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, ressaltou a importância de se ter políticas de Estado. “O planejamento integrado é uma oportunidade para fazemos políticas que atravessem governos, que contemplem uma visão de longo prazo”. 

Por Airton Goes (Programa Cidades Sustentáveis)

Confira o vídeo do evento de lançamento do novo guia. 

Evento online reuniu equipe CITinova/PCS, arquitetos e urbanistas. Foto: Arquivo PCS.

Foto de abertura Imagem: Nasa (Fotos Públicas)