Prefeituras discutem desigualdades estruturantes e os impactos da COVID-19

Um evento online reuniu a prefeita de Boa Vista (RR), Teresa Surita, e o vice-prefeito de Recife (PE), Luciano Siqueira, em 12 de agosto, para um debate sobre os impactos sociais da Covid-19 nas cidades brasileiras. A live encerrou a série do Mapa da Desigualdade entre as Capitais Brasileiras, projeto do Programa Cidades Sustentáveis, parceiro coexecutor do CITinova, que fez o cruzamento de indicadores das capitais quanto aos impactos da pandemia do coronavírus. 

“Na pandemia algo que já conhecíamos ficou escancarado e a preparação desses mapas nos ajuda a enxergar a relação entre as desigualdades estruturantes e os impactos da crise. Assim podemos contribuir de forma mais qualificada na construção de políticas públicas”, destacou o Coordenador-geral do Instituto Cidade Sustentáveis, Jorge Abrahão, na abertura do evento. 

Com o tema “A pandemia e as causas estruturantes das desigualdades”, a conversa ressaltou a crise econômica que precedeu a pandemia, as dificuldades dos municípios em se articularem com o atual governo federal e os esforços da cidade durante a crise.  

Sobre a experiência de Boa Vista, Teresa Surita destacou a politização da pauta da pandemia como um dos maiores desafios da saúde e os efeitos dessa gestão em um ano de eleições municipais. “Poderíamos ter perdido menos pessoas, com toda a certeza, mas temos que levar em consideração os aspectos políticos e econômicos que enfrentamos no país”, reforça a prefeita.  A capital concentra aproximadamente 70% da população do estado e teve a maior taxa de crescimento populacional entre as capitais brasileiras no último ano, acirrando a demanda por serviços públicos. 

Assim como em Boa Vista e outras capitais da Região Norte, a rede pública de Recife tem como característica o atendimento a toda uma rede de cidades da região metropolitana, de forma que o combate à pandemia sofre uma pressão intensa sobre o sistema de saúde. Com um déficit crônico de leitos, esse foi um ponto central na gestão da pandemia em Pernambuco. 

“Realizamos um esforço sistêmico no sentido de reduzir os mais diversos gastos da gestão e concentrar esforços no enfrentamento da pandemia na cidade. Recife vem monitorando seus avanços, mas acredito que a lição que fica para todos nós é a importância do investimento e reforço do SUS no pós pandemia”, afirma Luciano Siqueira. 

A íntegra do debate pode ser acessada no Youtube do Programa Cidades Sustentáveis.


Sobre o Mapa da Desigualdade entre as Capitais

A importância das capitais, que ganha ainda maior relevância diante da crise sanitária provocada pela Covid-19, levou o Programa Cidades Sustentáveis a coletar uma série de dados relacionados à saúde pública e à condição socioeconômica das populações que vivem nessas cidades.

Com apoio do Projeto CITinova , o trabalho teve por objetivos observar as possíveis correlações entre os indicadores selecionados e entender melhor a oferta de infraestrutura nos 26 municípios-sede das unidades federativas, além de suas necessidades e fragilidades.  O estudo oferece informações úteis aos tomadores de decisão, bem como à sociedade, sobre um problema que potencializa o impacto do vírus nas cidades: a desigualdade.

Informações: Assessoria de Comunicação do PCS

Confira as reportagens abaixo, com as seis séries de dados divulgadas:
– Mortalidade pela Covid-19 é mais elevada onde há maior concentração de renda
– Covid-19 é 13 vezes mais letal no Rio de Janeiro do que em Florianópolis
– Acesso à água tratada tem impacto no combate ao novo coronavírus
– Desigualdade no acesso a leitos agrava vulnerabilidade da população amazônica
– Renda e mortalidade por covid-19 nas capitais brasileiras
– As capitais brasileiras e os impactos da Covid-19


Foto de abertura Rio Capibaribe, em Recife: desigualdade social impacta na pandemia do novo coronavírus. Foto do Arquivo Projeto CITinova.

Estudo vai analisar benefícios do uso de água magnetizada na agricultura

Um projeto-piloto inovador sobre água estruturada aplicada à irrigação acaba de ser iniciado nas Bacias Hidrográficas do Descoberto e do Paranoá. Inédita no Brasil, a ação é implementada pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema-GDF) e integra o Projeto CITinova com o objetivo de verificar o aumento de produtividade e/ou redução da necessidade de água para irrigação a partir do uso do tratamento magnético da água.

O início da experiência piloto foi marcado pelo plantio de algumas espécies selecionadas (alface, milho e rabanete) na Chácara Colina, em Brazlândia (DF). O teste será aplicado em duas áreas-piloto: em uma estufa da Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília (sistema controlado), e na chácara localizada na área da Bacia do Descoberto (sistema aberto).

O secretário de Meio Ambiente do DF, Sarney Filho, ressaltou que o local escolhido é uma propriedade certificada para produção orgânica, que conta com uma vegetação nativa preservada envolta de todas as áreas de produção e com nascente afluente do Córrego Barrocão.

O plantio ocorre no período da seca para evitar a interferência da água da chuva na irrigação. “É uma alegria poder contribuir e participar do estudo. A falta de água é um problema grave em todo o mundo”, lembrou o produtor rural orgânico, Luís Carlos Pinagé.

Irrigação a partir do uso do tratamento magnético da água. Foto: Renata Leite (SEMA)

Esta é uma das iniciativas do CITinova, um projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) para a promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras por meio de tecnologias inovadoras e planejamento urbano integrado. Com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente, o projeto é executado, em Brasília, pela Sema, com gestão do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).  O estudo iniciado é desenvolvido com o apoio da Universidade de Brasília (UnB) e do Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (Cirat).

BENEFÍCIOS

Tratamentos magnéticos estão sendo usados na agricultura, como técnica não invasiva, para melhorar a produtividade e a produção das culturas. A água tratada magneticamente interfere na fisiologia de plantas e, alguns estudos, apontam que ocorre a interação solo-água, apresentando maior umidade do solo, quando comparada com a água convencional.

Segundo os estudos já realizados, o uso da água tratada magneticamente pode reduzir os intervalos de irrigação, o que seria mais eficiente; aumentar a velocidade de germinação e percentual de germinação das sementes;  além de melhorar a produção e a produtividade das culturas agrícolas.

O nome água estruturada refere-se às moléculas de água que se realinham de forma perfeita em grupos herméticos, fazendo com que a água se torne mais densa ou concentrada. Dessa forma, há ainda outros benefícios como aumento da germinação e peso seco de sementes; aumento da produção de folhas, frutos e comprimento de raízes; e aumento das propriedades bactericidas da água.

“Estamos testando por meio do projeto novas abordagens no uso da água e a eficácia dessas abordagens. Explorar a nano estrutura aplicada à irrigação tem como foco fazer uma melhor gestão da água. Temos um período crítico de seca no Distrito Federal, por isso é importante termos acesso a técnicas inovadoras que possam ser usadas na agricultura”, afirmou Nazaré Soares, coordenadora Executiva do Projeto GEF/CITinova.

METODOLOGIA

Os tratamentos serão constituídos por três níveis de indução magnética, a serem aplicadas na água de irrigação; além de um acompanhamento com água não magnetizada.

Segundo o professor João José da Silva Júnior, da Faculdade de Agronomia da UnB, para cada espécie foram definidos critérios específicos de avaliação. “Com a experiência, espera-se obter a intensidade que proporciona maior desenvolvimento vegetativo, produção de fitomassa e produtividade da cultura das espécies selecionadas (milho, rabanete e alface)”, destacou.

Marcelo Giovani Alves,  coordenador do Cirat, explicou que a indução magnética é feita dentro de tubos e que foram adquiridos três equipamentos: um brasileiro, um chinês e um americano, para uma melhor análise. “Desenvolver essa pesquisa no Brasil é muito importante porque seus resultados podem ajudar milhares de agricultores”, disse.

Informações: Assessoria de Comunicação Sema-GDF


Foto de aberturaEquipamentos de desmagnetização. Foto: Renata Leite (SEMA)

Associação de agricultoras rurais lança site para comercializar seus produtos

As agricultoras da Associação Agroecológica Mulheres Rurais do Assentamento Canaã (AAMRAC) mostraram que estão muito mais preparadas para empreender do que imaginaram. Fundada em fevereiro de 2020, pouco antes da pandemia, elas aproveitaram a dificuldade imposta pela quarentena para se fortalecer, se adequar ao momento tão delicado e pensar em estratégias de comercialização e de divulgação, e nesta semana, lançaram o site da associação.

Composta por 22 agricultoras de Brazilândia (DF), algumas delas compõem, há mais de um ano, o projeto piloto Sistemas Agroflorestais (SAFs) mecanizados, que integra o CITinova, um projeto multinacional para a promoção de sustentabilidade nas cidades brasileiras por meio de tecnologias inovadoras e planejamento urbano integrado, realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente e implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e parceiros coexecutores.

No sistema agroflorestal é feito o plantio de espécies agrícolas e florestais diferentes em uma mesma área, o que torna possível a produção sem que a natureza seja prejudicada. Em regiões das bacias do Paranoá e do Descoberto, do Distrito Federal, a ação está sendo implementada sob a coordenação da Secretaria do Meio Ambiente (Sema-GDF) e incentiva práticas agrícolas inovadoras em bacias hidrográficas estratégicas para contribuir com a segurança hídrica do DF.

Site da AMRAC

Por meio do site é possível, além da apresentação e venda dos produtos, conhecer um pouco mais da história da associação, que tem o lema: “Plantamos e colhemos, com carinho, para entregar aos nossos clientes o melhor da terra, protegendo e cuidando do meio ambiente”. Os usuários da internet encontrarão também receitas, notícias sobre a associação que já saíram na imprensa, fotos e vídeos.

Página inicial do site das Mulheres Rurais do Assentamento Canaã

Feito à distância e de forma solidária com o apoio do Bureau de Criação Publicitária do UniCEUB e dos consultores André Ramos e Marta Moraes, do projeto CITinova, o site foi comemorado pelas agricultoras.  “Estamos muito felizes em ter agora um espaço que nos represente e que auxiliará na divulgação do nosso trabalho e na comercialização de nossos produtos”, disse a presidente da associação, Maria Ivanildes Souza.

Informações: Assessoria de Comunicação SEMA-GDF

Sobre o Projeto CITinova, mais informações aqui.


Foto de abertura Agricultoras comemoram lançamento do site. Foto: Associação Agroecológica Mulheres Rurais do Assentamento Canaã (AAMRAC)