Sema instala poços de monitoramento para avaliar contaminação do antigo Lixão da Estrutural

A Secretaria do Meio Ambiente (Sema), no âmbito do projeto CITinova, está realizando a coleta de águas superficiais dos córregos Acampamento, Ribeirão Bananal e Cabaceira do Valo para avaliar se o chorume do Lixão da Estrutural, acumulado durante décadas, chegou às nascentes próximas à área. O local, ao lado do Parque Nacional de Brasília, ficou conhecido como o maior depósito de lixo a céu aberto da América Latina.

Essa atividade está entre as ações prioritárias da Sema: a elaboração de um diagnóstico, junto com proposta de remediação para toda a área de influência local, utilizando tecnologias inovadoras. O estudo, demandado pela Sema, é desenvolvido pela Universidade de Brasília (UnB).

Segundo o secretário de meio ambiente do Distrito Federal, Sarney Filho, no caso do Lixão da Estrutural, que encerrou o recebimento de resíduos sólidos urbanos (RSU) há quase dois anos, o local gera preocupação, pois concentra enorme quantidade de chorume e gás metano no solo, além de possuir grandes volumes de lixo enterrados em decomposição.

Com os resultados dessa iniciativa será possível orientar o Governo do Distrito Federal (GDF) na elaboração do Plano de Gerenciamento de Contaminantes do antigo lixão da Estrutural e na implantação de ações a curto, médio e longo prazo para a descontaminação dos corpos hídricos superficiais e subterrâneos, do solo e do ar. Os estudos do projeto darão subsídio para a elaboração de estratégias para descontaminação da área, promovendo a reparação aos danos causados ao meio ambiente.

A iniciativa integra o CITinova – Planejamento Integrado e Tecnologias para Cidades Sustentáveis, projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e executado, em Brasília, pela Sema, com gestão do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

ETAPAS

Ainda dentro das atividades previstas na ação, a Sema vem concluindo a perfuração de poços para medir o nível de contaminação de chorume – líquido escuro que sai do lixo. Os poços, que estão sendo instalados na área urbana da Estrutural, no Parque Nacional de Brasília e na própria área do Lixão, possuem de 20 a 80 metros de profundidade e oito polegadas de diâmetro. Já foi concluída a instalação de 12 poços, faltando apenas mais oito para a conclusão dessa etapa.

“É preciso perfurar, descer uma tubulação de PVC, cercar e instalar uma proteção em cada um deles. Com a construção dos poços, vamos bombear o chorume e monitorar os reservatórios de água subterrâneos”, explicou o coordenador técnico do projeto e diretor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), professor Eloi Campos.

Tais ações envolvem, além da universidade, a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) e uma empresa contratada, e só foram possíveis porque são feitas ao ar livre e com equipe reduzida de profissionais, além, é claro, de terem sido mantidas as devidas recomendações pela Covid-19.

Perfuração de poços para medir o nível de contaminação de chorume. Foto: Arquivo SEMA.
TÉCNICAS INOVADORAS

Segundo o professor Campos, mesmo sem depositar mais lixo, a chuva infiltra na região e dilui o chorume, que por sua vez segue migrando. “O que ainda não tem resposta é: onde que essa pluma chegou? Sabemos que ela se direciona para o interior do Parque Nacional e também para a cabeceira do córrego Vicente Pires, que é local de captação de água pela Caesb. Então, tratar o chorume e evitar essas rotas são pontos importantes”, destacou.

Uma das ações previstas no projeto é a implantação da fitorremediação para avaliar a absorção de poluentes na área demarcada e testar tecnologias inovadoras para retirada ou a estabilização de metais nos solos. Já foram plantadas 400 mudas de espécies nativas e 100 mudas de eucalipto em uma área piloto de um hectare do antigo Lixão. Entre as espécies do Cerrado estão: mudas de baru, mama-cadela, angico, ipê-roxo, fedegoso, cedro, jatobá, copaíba, mulungu e pata-de-vaca, além de sorgo e girassol, outras espécies de ciclo curto.

Informações: Assessoria de Comunicação SEMA-GDF


Foto de abertura Ao todo, serão 20 poços instalados na área urbana da Estrutural. Foto: Arquivo Sema.

Barco movido a energia solar em desenvolvimento pela ARIES e Porto Digital é destaque no NE2

Reportagem de ontem (07/07) no NE2, telejornal da noite da Rede Globo em Pernambuco, apontou o desenvolvimento de um barco movido a energia solar, um dos pilotos do projeto CITinova, como uma importante ação para o enfrentamento da desigualdade social em Recife.  

Desenvolvido pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Digital, o barco irá fazer a travessia do Rio Capibaribe, transportando os moradores de uma margem a outra com conexões na estação Parque do Caiara, no bairro da Iputinga (zona oeste), e estação Murillo la Greca, no bairro Parnamirim (zona norte).

Além de não poluir o ambiente, o projeto visa facilitar e acelerar a travessia entre essas duas margens opostas, cujas características socioeconômicas e territoriais são muito distintas e nas quais o rio acaba se tornando uma barreira e não um elo entre os moradores da capital pernambucana. “É muito importante que o recifense entenda que uma parte da cidade está apartada da outra mais desenvolvida; precisamos integrar isso; e o rio é um elemento de integração”, afirmou Marcos Baptista, presidente da ARIES, em entrevista ao jornalista Bruno Fontes, do NE2.

Margens do Capibaribe: o rio como barreira social.

A reportagem do NE2 deu destaque aos dados do Mapa da Desigualdade entre as Capitais, elaborado pelo Programa Cidades Sustentáveis (PCS), com apoio do projeto CITinova. De acordo com o mapa, Recife registra, ao lado de Belém, a maior concentração de renda entre as capitais, com Índice de Gini (medida para verificar a concentração de renda em uma determinada população) de 0,61. Com o terceiro maior percentual de habitantes vivendo abaixo da linha da pobreza (31%), a metrópole pernambucana tem elevados índices de mortalidade por coronavírus: 93 óbitos por 100 mil habitantes, de acordo com dados de 16 de junho do Mapa da Desigualdade.

“A pandemia está escancarando as desigualdades no Brasil, e, sobretudo, nas grandes cidades brasileiras. Temos de investir na redução das desigualdades, isso é gerador de empregos também”, disse Jorge Abrahão, coordenador geral do Instituto Cidades Sustentáveis, que integra o PCS e a Rede Nossa São Paulo. O barco movido a energia solar, segundo a reportagem do NE2, também facilitará o acesso da população menos privilegiada aos hospitais da cidade.  .

Modelo sustentável para o barco

O principal desafio do projeto piloto é criar um modelo de negócio sustentável, que garanta o transporte da população pelo barco movido a energia solar e que possa também ser replicado em outras cidades do Brasil e do mundo. Para isso, foi realizado primeiramente um desenho de serviço inovador, com pesquisas quantitativas e qualitativas com moradores e transeuntes de ambas as margens do rio e com barqueiros que fazem a travessia em suas pequenas embarcações.

Após o entendimento das demandas locais e das necessidades diárias da população nas áreas que receberão as intervenções, o projeto entrou agora na fase de desenvolvimento de estudos de viabilidade econômica da operação financeira que garantam a sustentabilidade da operação do barco quando em funcionamento, com identificação e definição da governança a ser implementada. Somente após essas duas etapas vencidas, será iniciado o desenho do barco com sua posterior construção e implementação da operação definida nas primeiras etapas. A previsão de término desse projeto é para abril de 2022.

Toda a ação do barco movido a energia solar se relaciona com os objetivos de desenvolvimento sustentável do CITinova, projeto multilateral realizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), implementação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e executado em parceria com Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) e Porto Digital, Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Programa Cidades Sustentáveis (PCS) e Secretaria do Meio Ambiente (SEMA/GDF).

Veja a reportagem do NE2 na íntegra: “Pesquisa aponta Recife como uma das cidades com mais desigualdade social”


Iniciativas para o enfrentamento da Covid- 19 no projeto CITinova

Desde março, com o início do isolamento social devido ao novo coronavírus, os parceiros do CITinova estão tomando várias medidas mitigadoras para que sejam cumpridos todos os compromissos previstos neste amplo projeto multilateral com abrangência nacional e ações específicas em Brasília e Recife. Assim, enquanto atividades de campo e de mobilização social tiverem de ser adiadas, foram potencializados eventos virtuais como webinários,workshops temáticos e intercâmbios on-line entre gestão pública, empresas e sociedade.

A equipe CITinova também está realizando ações que colaborem para minimizar os impactos que as cidades brasileiras estão sofrendo com a pandemia dentro do escopo do projeto de promover desenvolvimento sustentável por meio de informação, metodologias e ferramentas de planejamento urbano integrado a gestores públicos e sociedade em geral.

O Programa Cidades Sustentáveis, por exemplo, lançou em sua plataforma o Especial Covid 19, com boas práticas, programas e ações no Brasil e no mundo com resultados positivos no enfrentamento ao novo coronavírus. A série traz também orientações gerais e ferramentas para auxiliar os gestores públicos neste momento e pós pandemia.

Outra importante iniciativa do PCS foi a elaboração do “Mapa da Desigualdade: As capitais Brasileiras e os impactos da Covid-19”, uma série com dados e indicadores relacionados à saúde pública e à condição socioeconômica das populações que vivem nas 26 capitais brasileiras e a relação entre o novo coronavírus e as causas estruturantes da desigualdade no país.

No Distrito Federal, o Sistema Distrital de Informações Ambientais (SISDIA) da Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) irá lançar, em agosto, módulos especialistas (ME) com dados inéditos como o ME de monitoramento e controle do território (com produção segura e atual de insumos para o controle da grilagem de terras), o ME de licenciamento integrado de parcelamento de solo, e o ME de sustentabilidade urbana (relação da qualidade dos ambientes urbanos com a saúde humana, incluindo os termos preconizados pela OMS).

Pela primeira vez, será possível integrar os dados da Secretaria de Saúde com novos conhecimentos sobre o impacto positivo ou negativo da saúde ambiental, supressão de vegetação, padrões urbanos em sua relação com zoonoses (dengue, etc) e com a pandemia da Covid-19. [SR1] 

A base dessa importante infraestrutura de dados geoespaciais ambientais para organizar, integrar e ampliar as informações produzidas pelos diversos órgãos do Distrito Federal já é utilizada por 15 órgãos com Acordo de Cooperação – ACT, 221 usuários destes órgãos com permissão de acesso e cerca de 72 mil acessos por mês. 

Com a implementação dos novos módulos, o SISDIA poderá subsidiar as tomadas de decisões com informações que identifiquem áreas de maior vulnerabilidade sanitária, social ou econômica, além de uma gestão remota de diversos processos, com redução de deslocamento físico pelo território (a exemplo dos locais de grilagem) e de idas de empreendedores públicos e privados, pessoas físicas ou jurídicas até o órgão ambiental,  medidas importantes neste momento de pandemia para o andamento dos projetos e a tomada de decisões.

Em Recife, a ARIES e Porto Digital estão planejando a implementação do Integrated Management System (IMS), uma plataforma de suporte à decisão em planejamento urbano baseada em evidências. Com ações coordenadas entre secretarias da Prefeitura do Recife, uma interface com duas ferramentas está sendo estudada para auxiliar especificamente na retomada da economia nos cenários pós Covid.

Na capital pernambucana, também no âmbito do Projeto CITInova, a ARIES e Porto Digital preveem incluir, nas duas revisões do Plano Recife 500 Anos, novos dados sobre a cidade, uma vez que desafios estão se apresentando ou se tornando ainda maiores em consequência do novo coronavírus.

Além disso, estão sendo pensadas, no cenário atual, ferramentas para auxílio de tomada de decisão dos gestores públicos no desenvolvimento de política habitacional. “Estamos trabalhando para um maior impacto social positivo no que se refere à habitação, principalmente para mulheres e outros grupos de maior vulnerabilidade”, afirma Camila Lopes, gerente coexecutora do CITinova pela ARIES.  

Visão de futuro

Com a finalidade de apontar áreas estratégicas de investimento para o enfrentamento de situações extremas de pandemia no contexto urbano brasileiro, o Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis (OICS), do CGEE, está desenvolvendo um estudo sobre visão de futuro para as cidades brasileiras. Serão contemplados os temas mapeados pelo Observatório: água, energia, mobilidade, resíduos sólidos, ambiente construído e soluções baseadas na natureza. O OICS também desenvolverá cartilhas sobre os seis temas elencados para auxiliar as cidades piloto do projeto, além do desenvolvimento de um plano estratégico em virtude da nova visão de futuro que está sendo vislumbrada nesse estudo.

“O conhecimento que o CITinova está acumulando tem grande potencial para apoiar gestores na renovação de políticas públicas e iniciativas da sociedade e dos setores produtivos na construção de um país mais resiliente, que supere as pandemias e as limitações para o alcance de melhor qualidade de vida para todos os cidadãos e cidadãs”, afirma Suiá Rocha, coordenadora nacional do projeto.


Foto de aberturaImagem de Gerd Altmann por Pixabay